0 Veranópolis ? Cidade Para Todas As Idades ?Envelhecimento Ativo: Criando um Município Para Todas As Idades? A Medida da Linha de Base RESUMO Relatório final da medida de linha de base para o desenvolvimento de uma cidade mais amiga do idoso, ou seja, uma Cidade Para Todas As Idades. Associação Veranense de Assistência em Saúde (AVAES) e Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-Brasil) Junho 2016 1 Veranópolis ? Cidade Para Todas As Idades ?Envelhecimento Ativo: Criando um Município Para Todas As Idades? Relatório final sobre a medida da linha de base: Qual a situação atual em Veranópolis? Produzido por Associação Veranense de Assistência em Saúde (AVAES) e Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-Brasil) Em colaboração com o Conselho Municipal do Idoso (CMI) e a Prefeitura de Veranópolis Com apoio da CPFL Energia através do Fundo Municipal do Idoso Junho 2016 2 Pesquisador Responsável: Emilio H. Moriguchi, MD, PhD - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) - Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Serviço de Medicina Interna (HCPA) e Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UNISINOS Equipe: Waldemar de Carli, MD, MSc - Médico Cardiologista do Hospital Comunitário São Peregrino Lazziozi (HCSPL) ? Veranópolis- Associação Veranense de Assistência em Saúde (AVAES) Berenice Maria Werle, MD, MSc - Médica do Centro de Geriatria e Gerontologia do Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre (HMV) Neide Maria Bruscato, Nutricionista, MSc - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) - Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Serviço de Cardiologia (HCPA) Lilian Vivian, Farmacêutica, Dra - AVAES/HCSPL - Veranópolis Waleska Pessato Farenzena, Psicóloga/Psicanalista, MSc - AVAES/HCSPL - Veranópolis Josiele Kesties, Nutricionista - AVAES/HCSPL - Veranópolis Emeline Pessin, Educadora Física, MSc - UFRGS - HCPA Vanderléia Menegali Moojen Berti, Educadora Física - AVAES/HCSPL - Veranópolis Alexandre Kalache, MD, PhD - Médico epidemiologista e presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-Brasil) Ina Voelcker, gerontóloga, MA - Diretora técnica do ILC-Brasil Redação final: Alexandre Kalache, MD, PhD Emilio H. Moriguchi, MD, PhD Ina Voelcker, gerontóloga, MA Lilian Vivian, Farmacêutica, Dra Neide Maria Bruscato, Nutricionista, MSc Waleska Pessato Farenzena, Psicóloga/Psicanalista, MSc Revisão: Elisa Monteiro Coelho (ILC-Brasil) e Lilian Vivian (AVAES) 3 Prefácio do Prefeito No momento em que agimos e pensamos em priorizar a VIDA, os indivíduos, os cidadãos e a nossa administração têm desenvolvido parcerias duradouras. Buscamos parcerias comprometidas em fazer de Veranópolis uma cidade para todas as idades. Elas incluem as nossas equipes e a comunidade, que através de seus representantes opinam e nos encaminham sugestões e propostas tão pertinentes, que em maioria são aceitas. Tudo com o objetivo de efetivarmos projetos que visam melhorar a qualidade de vida de nossos habitantes. Gestões públicas devem se preocupar com as pessoas e promover ações que transmitam segurança para todas as idades. Desenvolver um projeto tão importante quanto esse, tendo o ILC-Brasil como participante dessa iniciativa, deixa nossa gestão mais comprometida com resultados e excelência. Carlos Alberto Spanhol Prefeito Municipal de Veranópolis - RS 4 Prefácio do Dr. Alexandre Kalache São hoje cerca de 1500 os municípios no mundo a fora que já adotaram os princípios da Organização Mundial da Saúde para se tornarem mais Amigos do Idoso. Muitos mais estão se preparando. É grande a satisfação com que eu vejo este movimento global, criado pela OMS há dez anos quando eu estava à frente do seu Departamento de Envelhecimento e Saúde se consolidando cada vez mais. A iniciativa nasceu em Copacabana ? o bairro mais envelhecido do Brasil, onde eu nasci e cresci, em 2005 quando o Professor Emílio Moriguchi que presidia a Comissão Científica do Congresso Internacional de Geriatria e Gerontologia me chamou para fazer sua conferência inaugural - que, naquele ano, teve lugar no Rio de Janeiro. Desde então a iniciativa só faz crescer, afinal o mundo está não somente envelhecendo como se urbanizando ? ou seja, a cada ano mais pessoas envelhecendo em entornos urbanos. No Brasil, este movimento ainda é tímido considerando a rapidez do envelhecimento populacional que o país está experimentando e a consequente necessidade de adequar nossas cidades para um número crescente de idosos. Assim, foi uma grande alegria quando a CPFL Energia S.A. respondeu tão entusiasticamente a proposta do ILC-Brasil de implementar um projeto para estabelecer modelos de como promover municípios mais amigos do idoso ? na realidade, mais amigos de todas as idades pois uma política amiga do idoso é necessariamente uma política para todas as idades. No primeiro ciclo desta parceria elegemos municípios que pudessem ter um grande potencial de se tornar referência nacional ? como Veranópolis. Com uma sólida trajetória de pesquisa sobre longevidade há mais de 20 anos Veranópolis é conhecido nacionalmente como a ?Terra da Longevidade?. A presença de um parceiro acadêmico forte e o comprometimento do setor público com a causa nos deram certeza que Veranópolis seria a escolha certa para iniciar este trabalho. Mesmo já sendo um munícipio com um alto índice de desenvolvimento humano ? e, portanto, alta qualidade de vida - este projeto estará contribuindo para torná-lo mais amigo do idoso onde a prática do envelhecimento ativo passa a ser uma realidade do dia a dia. Agradeço nossos amigos do Governo Municipal, o Conselho dos Idosos, nossos parceiros acadêmicos, e todos que, de mãos dadas, fizeram deste projeto uma experiência tão exitosa. Agradecimentos especiais cabem à CPFL e nossa à Diretora Técnica do ILC-Brasil, Ina Voelcker. Alexandre Kalache, Presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-Brasil) 5 Prefácio do Prof. Dr. Emílio Moriguchi Tudo começou em 1994, quando, na Revista Geográfica Universal daquele ano, no artigo denominado ?Celeiros da Longevidade?, aparecia o nome do município de Veranópolis, localizado na serra gaúcha, como sendo uma área de longevidade, o município mais longevo do Brasil. Confirmado o fato de Veranópolis ser o município mais longevo do país, pelos dados do IBGE, resolvemos iniciar uma pesquisa para aprendermos sobre ?os segredos da longevidade?. Na oportunidade, com o apoio do Secretário Municipal da Saúde, na época, Dr. Waldemar de Carli, e com a participação da mestranda Dra. Elisabete Michelon, começamos o ?Projeto Veranópolis de Envelhecimento e Longevidade?, um estudo de coorte populacional para caracterizar as determinantes relacionadas com o envelhecimento bem-sucedido e longevidade com qualidade de vida. Ao longo desses mais de 20 anos de pesquisas ininterruptas, com a participação de muitos pesquisadores colaboradores (incluindo 25 mestrandos e 10 doutorandos que defenderam suas dissertações e teses, respectivamente) fomos aprendendo o que estava relacionado com o envelhecimento saudável e bem- sucedido e com a longevidade com qualidade de vida através de projetos de pesquisa coordenados localmente pela Nutr. Neide Maria Bruscato, MSc, com colaboração de várias pessoas da academia, da política municipal e da comunidade. Hoje, ainda com vigor de 22 anos de pesquisas em envelhecimento e longevidade, o ?Projeto Veranópolis? sente-se reconhecido e honrado em poder fazer parte deste grande projeto mundial de ?Municípios Amigos do Idoso?, ou seja, amigo de todas as idades. Podem estar certos de que faremos de tudo para que Veranópolis seja reconhecido como tal pelo mundo! Agradecimento especial para todos que colaboraram e colaboram com o ?Projeto Veranópolis: Estudos em envelhecimento, longevidade e qualidade de vida?, em especial, à gerente geral do projeto Neide Maria Bruscato, ao Dr. Waldemar de Carli, à Dra. Berenice Werle, à Prefeitura Municipal de Veranópolis e, especialmente ao Prof. Dr. Alexandre Kalache que acreditou e confiou no nosso Projeto! Professor Dr. Emilio Moriguchi 6 Sumário Prefácio do Prefeito ...................................................................................................... 3 Prefácio do Dr. Alexandre Kalache ............................................................................... 4 Prefácio do Prof. Dr. Emílio Moriguchi .......................................................................... 5 Resumo ........................................................................................................................ 1 Introdução ..................................................................................................................... 1 A Rede Global da OMS ............................................................................................. 2 Justificativa ............................................................................................................... 2 O projeto: Veranópolis ? Cidade para Todas as Idades ................................................ 3 Objetivos ................................................................................................................... 4 Objetivo geral ........................................................................................................ 4 Objetivos específicos ............................................................................................. 4 Hipóteses .................................................................................................................. 4 Metodologia .................................................................................................................. 5 Perfil da comunidade ................................................................................................. 5 Inventário de serviços e programas ........................................................................... 5 Pesquisa de campo: qualitativa e quantitativa ........................................................... 6 O recrutamento e locais da realização da pesquisa ............................................... 6 Os instrumentos de pesquisa ................................................................................. 7 O procedimento ..................................................................................................... 8 Considerações Éticas ............................................................................................ 9 A análise ................................................................................................................ 9 O que a população nos diz ? criando uma linha de base ............................................ 10 Perfil da comunidade ............................................................................................... 10 Inventário de serviços e programas ......................................................................... 11 O perfil dos participantes da pesquisa ..................................................................... 11 Uma Cidade para Todas as Idades ? como é e o que falta? ................................... 18 Ambiente físico .................................................................................................... 19 Transporte ........................................................................................................... 26 Moradia ............................................................................................................... 34 Oportunidades para Participação ......................................................................... 40 Respeito e Inclusão social ................................................................................... 49 Comunicação e Informação ................................................................................. 53 Oportunidades para aprender .............................................................................. 59 7 Apoio e Cuidado .................................................................................................. 63 Conclusão: a caminho de uma Cidade Amiga do Idoso .............................................. 70 Temas prioritários dos cidadãos veranenses........................................................... 70 O que torna a vida veranense agradável? ............................................................... 70 O que atrapalha e poderia ser melhorado? ............................................................. 70 Sugestões concretas ............................................................................................... 71 CONCLUSÃO FINAL .............................................................................................. 72 ANEXO ....................................................................................................................... 73 I ? Perfil do Município .............................................................................................. 73 II ? Inventário de serviços e programas ................................................................... 73 III ? Questionário Protocolo do Rio .......................................................................... 73 IV ? Protocolo do Rio: Guia de Fórum ..................................................................... 73 V ? Projeto aprovado ............................................................................................... 73 VI ? Aprovação Ética ............................................................................................... 73 APÊNDICES ............................................................................................................... 73 I ? Questionário estruturado para obtenção do inventário de serviços e programas 73 II ? Material de divulgação para recrutamento de participantes ............................... 73 III ? Questionário 1- Dados sócio demográficos e atividades de vida diária dos idosos. O quanto sua cidade é amigável ao idoso? ................................................. 73 IV ? Termos de Consentimento Livre e Esclarecido ................................................ 73 1 Resumo O projeto ?Veranópolis ? Cidade para Todas as Idades? visa à criação de uma cidade mais amiga do idoso, isto é, um município mais amigável para pessoas de todas as idades, com enfoque específico nas pessoas idosas. O ponto de partida deste projeto é o envelhecimento populacional e a consequente necessidade de responder a esta mudança demográfica que ocorre de uma maneira muito rápida e em paralelo com várias outras mudanças, como por exemplo, a diminuição no tamanho de famílias e a crescente participação de mulheres no mercado de trabalho. Ancorado na perspectiva de direitos humanos, o projeto visa à inclusão do cidadão na formulação de políticas públicas que lhes dizem respeito. Fazem parte deste projeto as etapas da primeira fase do ciclo da Rede Global de Comunidades Amigas do Idoso da Organização Mundial de Saúde: 1) o estabelecimento de um mecanismo para envolver pessoas idosas no ciclo inteiro, 2) uma medida de linha de base do município, 3) o desenvolvimento de um plano de ação e 4) a identificação de indicadores de monitoramento. Este relatório retrata a metodologia específica deste projeto e demonstra os resultados desta medida de linha de base que formam a base para o desenvolvimento do Plano de Ação. O projeto começou em maio de 2015 e a primeira fase será encerrada com o encaminhamento da execução do Plano de Ação em outubro deste ano. Introdução O projeto foi desenvolvido no contexto do envelhecimento populacional que traz inúmeras implicações para sociedades, comunidades e indivíduos, com relação à saúde, aprendizagem ao longo da vida, participação e segurança. No Estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, cálculos baseados no Censo de 2010 mostram que 13,6% da população têm mais de 60 anos, o que o torna o Estado mais envelhecido do país. Nos próximos 40 anos, estima-se que a população idosa no país triplicará, e que em 2060 corresponderá a um terço da população total no País. Segundo as projeções do IBGE, em 2030 haverá mais pessoas acima de 60 anos que crianças (0-14 anos). 1 A rapidez do envelhecimento populacional no Brasil e a consequente redistribuição das faixas etárias são muitas vezes vistas como grande desafio, e até como carga, para a sociedade em geral e especificamente para manter a harmonia entre as gerações. Em resposta ao envelhecimento populacional, a Organização Mundial de Saúde (OMS) criou, em 2002, o Marco Político do Envelhecimento Ativo, um documento orientador para políticas públicas. Este Marco Político tem uma abordagem do ?curso de vida? e uma grande preocupação com a manutenção de boas relações intergeracionais e com a qualidade de vida de indivíduos de todas as idades e ao longo de toda a vida. O Marco Político é embasado pela produção teórica e estudos epidemiológicos multidimensionais sobre os determinantes sociais da saúde. As recomendações do Marco Político do Envelhecimento Ativo visam a promover mudanças na área de saúde e nos serviços sociais, além das áreas de ?educação; emprego e trabalho; finanças; seguridade social; moradia; transporte; justiça; desenvolvimento urbano e 1 http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/projecao_da_populacao/2013/default_tab.shtm 2 rural?. Para a OMS, a implantação dessa agenda de mudanças requer coerência na proposição de políticas intersetoriais em todos os segmentos governamentais e da sociedade civil organizada. Em 2005, a OMS começou a trabalhar na direção de uma aplicação prática do Marco Político, e assim, foi lançada em 2007 a iniciativa ?Cidade Amiga do Idoso?. Ela é considerada, pela OMS, como a estratégia mais eficaz para a assunção da liderança na promoção das mudanças requeridas pelo envelhecimento populacional. Em 2007, a OMS lançou o Guia Global das Cidades Amigas do Idoso para orientar o desenvolvimento de ambientes que favorecem o envelhecimento ativo. Para a elaboração do Guia Global das Cidades Amigas das Pessoas Idosas, a OMS buscou a participação de 33 cidades do mundo inteiro, que organizaram grupos focais nos quais pessoas idosas identificavam na comunidade, pontos fracos e fortes em relação à qualidade de vida dos idosos. Também foram ouvidos prestadores de serviços e cuidadores de idosos. Para entender de maneira sistemática quais os obstáculos e pontos positivos do ambiente em que vive e levantar dados robustos e comparáveis sobre isso, foi desenvolvido pela OMS, em 2006, o Protocolo de Vancouver 2 . É um protocolo de pesquisa que foi aplicado em dezenas de localidades. Baseado nas experiências nestas localidades, o ILC-Brasil conduziu uma revisão do protocolo e criou o Protocolo do Rio, para orientar a medida de linha de base e que foi pilotado em Veranópolis. Para o desenvolvimento de um ambiente que favorece o envelhecimento ativo é essencial identificar o mais amplamente possível as visões dos moradores sobre os aspectos positivos, as barreiras e as lacunas. À sua maneira, cada comunidade é única, fazendo com que a consulta local assegure que as decisões tomadas sejam adequadas para aquela comunidade. Além disso, envolver os moradores facilita a obtenção de seu apoio e o engajamento deles como parceiros da ação. A Rede Global da OMS Seguindo o sucesso da iniciativa ?Cidade Amiga do Idoso?, a OMS criou a Rede Global de Comunidades Amigas do Idoso. Hoje, mais de 200 municípios em 26 países fazem parte da Rede. A Rede permite que municípios de vários países troquem experiências, boas práticas e outras informações. A Rede também oferece treinamento e apoio técnico. Para aderir à Rede Global da OMS é preciso que a cidade se comprometa com um ciclo contínuo de avaliação e aprimoramento. O ciclo é dividido em quatro fases que devem ser desenvolvidas ao longo de um período de 3 a 5 anos. Este projeto se refere à primeira fase, a fase de planejamento, que inclui os seguintes compromissos: envolver ativamente as pessoas idosas, avaliar o município em termos de ambientes favoráveis para o envelhecimento ativo, desenvolver um plano de ação e identificar indicadores de monitoramento. No final desta primeira fase, a cidade de Veranópolis poderá aderir à Rede. Ao fazê-lo compromete-se com a implementação do plano de ação. Justificativa Além dos simples fatos demográficos que demandam ações imediatas, os princípios centrais do Envelhecimento Ativo e do conceito ?Amigo do Idoso? são, em si, uma justificativa para o projeto ?Veranópolis Para Todas As Idades?, partindo do idoso e alcançando a qualidade de vida dos cidadãos de todas as idades: 2 http://www.who.int/ageing/publications/Microsoft%20Word%20-%20AFC_Vancouver_protocol.pdf 3 ? A perspectiva do Envelhecimento Ativo não favorece apenas o idoso. Ela mostra que o envelhecimento é um processo que permite o aperfeiçoamento das condições de saúde, educação, participação e segurança ao longo da vida, à medida que as pessoas envelhecem. ? Um ambiente ?amigo do idoso? traz benefícios para pessoas de qualquer idade, como, por exemplo, transporte público de fácil acesso para uma pessoa idosa também é mais acessível para uma mulher grávida, uma pessoa com criança no colo ou com uma mochila nas costas. ? O Envelhecimento Ativo depende dos determinantes sociais de saúde que influenciam a vida das pessoas, de suas famílias, assim como a sociedade. Como o Envelhecimento Ativo é um processo de vida contínuo, pessoas de todas as idades beneficiam-se de ambientes acessíveis, seguros e saudáveis. ? Pessoas idosas representam recurso financeiro e suporte para as sociedades, em vista de disporem de um ?alargado leque de capacidades e recursos?. Partindo da abordagem do curso de vida, a cidade de Veranópolis deverá tornar-se ?amiga para todas as idades? e assim favorecerá o envelhecimento ativo dos seus cidadãos idosos e jovens. Ao se preparar como um ambiente inclusivo e acessível para idosos e favorecedor do envelhecimento ativo, o município também será mais amigável para pessoas mais jovens, pessoas com deficiências e famílias jovens. O desenvolvimento da cidade para todos de todas as idades seguirá os princípios do enfoque ?amigo do idoso?, estabelecidos pela OMS. Um aspecto adicional deste projeto específico, porém, é o maior foco nas relações intergeracionais e no curso de vida. Pessoas de todas as idades serão incluídas nas consultas locais para que as políticas públicas que resultarem desta pesquisa sejam amigáveis não apenas para o idoso, mas para pessoas de todas as idades. É importante incluir pessoas mais jovens pelas seguintes razões: 1) elas mesmas estão envelhecendo e, quanto mais cedo se prepararem, melhor, e 2) a inclusão de pessoas de várias gerações contribui para a harmonia intergeracional. Por outro lado, é essencial criar espaço para a participação do idoso. Ele conhece a realidade de uma pessoa idosa no seu município e geralmente tem menos opções de participação na formulação de políticas públicas. O projeto: Veranópolis ? Cidade para Todas as Idades O projeto financiado pela CPFL Energia S.A., que visa tornar Veranópolis uma cidade mais amigável para pessoas de todas as idades a partir da visão das pessoas idosas, começou em maio de 2015 com o estabelecimento de mecanismos para envolver pessoas idosas na formulação de políticas públicas e de mecanismos para garantir políticas públicas intersetoriais. Após uma análise de dados existentes, que resultou no ?Inventário de Serviços e Programas para Pessoas Idosas e Outros Grupos? e no ?Perfil do Município Veranópolis/RS?, foi realizada, no período de outubro de 2015 a março de 2016, uma pesquisa de campo incluindo componentes qualitativos e quantitativos, para chegar à medida de linha de base ? resumida neste relatório. Esta medida de linha de base serve como ponto de partida para a elaboração de um Plano de Ação intersetorial, integrado ao planejamento estratégico da Prefeitura de Veranópolis. Ao final desta primeira fase do projeto, o Plano de Ação será encaminhado para execução e uma carta de compromisso será enviada à Organização Mundial de Saúde com o objetivo de fazer parte da Rede Global de Cidades e Comunidades Amigas do Idoso. 4 Objetivos Objetivo geral ? Tornar Veranópolis uma cidade amigável para os idosos e para pessoas de todas as idades, assumindo como base os princípios do envelhecimento ativo estabelecidos pela OMS. Objetivos específicos ? Por meio de pesquisas primárias e secundárias, identificar o perfil sócio demográfico da população, bem como os pontos positivos e negativos, as potencialidades e as limitações existentes em relação à boa qualidade de vida dos idosos (medidas de linha de base, ou seja, antes das intervenções). ? Contribuir para inserção do idoso nas atividades do Conselho de Direitos da Pessoa Idosa e potencializar a participação dos idosos na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas. ? Potencializar o reconhecimento que ambientes amigos de idosos favorecem pessoas de todas as idades à medida que envelhecem e promover o diálogo entre as gerações. ? Contribuir para o reconhecimento das necessidades e dos direitos específicos da pessoa idosa. ? Desenvolver ações que visem a ajudar à superação dos obstáculos identificados e à manutenção e ao aperfeiçoamento dos pontos positivos. ? Elaborar um painel de indicadores para monitoramento e avaliação da implementação do plano de ação. Hipóteses Para esta pesquisa foram elaboradas quatro hipóteses. As hipóteses de uma pesquisa são suposições que orientam uma investigação e que poderão ser confirmadas, ou não, através dos testes de hipóteses. Por meio destes testes é possível tirar conclusões científicas em relação a uma determinada amostra, no caso os 864 idosos, e extrapolar estas inferências para a população, ou seja, para todos os idosos da cidade. Neste sentido, os testes de hipóteses são um auxílio de qualquer tomada de decisão simples, por sustentarem uma verdade científica. Ao iniciar a pesquisa foram estabelecidas quatro hipóteses: Hipótese 1: Pessoas de faixas etárias diferentes avaliam aspectos da cidade de forma diferente. Hipótese 2: Quanto maior a faixa etária do indivíduo, maior é a percepção de aspectos negativos da cidade. Hipótese 3: Pessoas com maior poder aquisitivo e maior renda, geralmente, avaliam a cidade de forma mais positiva do que pessoas de menor poder aquisitivo e menor renda. Hipótese 4: Pessoas que avaliam sua saúde de forma excelente geralmente avaliam a cidade de forma mais positiva do que pessoas que consideram sua saúde regular ou má. 5 Metodologia Perfil da comunidade Como um dos primeiros passos do estabelecimento da medida de linha de base, é importante descrever as características geográficas, demográficas, sociais e econômicas do município para posteriormente definir os parâmetros do projeto. Essa informação fornece o contexto para a compreensão das questões locais e dos desafios, assim como ajuda no desenvolvimento do Plano de Ação. A maior parte da informação provém do IBGE e fontes municipais, complementado com dados de pesquisas da AVAES, inclusive: ? Localização, tamanho e topografia do bairro/localidade. ? Número de moradores e densidade demográfica. ? Características sociais, étnicas e econômicas. ? Número e proporção de pessoas idosas (60-74 e mais de 75). ? Tipo de moradia e condição de posse. ? Composição do domicílio. Para a obtenção do perfil foram selecionados indicadores que descrevem as características geográficas, demográficas, sociais e econômicas do município. O Perfil do Município de Veranópolis é acessível separadamente (Anexo I). Inventário de serviços e programas Entidades públicas e privadas que atuam no município foram solicitados a preencher um questionário estruturado (Apêndice I) para elaborar um inventário de recursos, serviços e programas destinados a pessoas idosas para completar o retrato da comunidade. Foram incluídos serviços públicos, voluntários ou comerciais. As seguintes categorias foram identificadas para organizar o inventário: ? "Categoria / Pilar do Envelhecimento Ativo" ? Nome da entidade ? Ano de fundação ? Legalizado ? sim/não ? CNPJ ? O serviço é público ou privado ? Nome do serviço/projeto ? Objetivo ? Atividades ? Início das atividades ? Tipo de recursos ? Serviço ativo/temporário ? N° de pessoas atendidas ? Serviço específico para o idoso ? sim/não ? Tem planilha com dados dos idosos ? sim/não ? Número de profissionais que atendem ? Qualificação dos profissionais ? Tem trabalho voluntário ? sim/não ? Tem custo para o idoso/família ? sim/não 6 Os dados foram inseridos em uma planilha Excel, classificados de acordo com os pilares do Envelhecimento Ativo e estruturado o Inventário conforme (Anexo II). Pesquisa de campo: qualitativa e quantitativa Para desenvolver o Plano de Ação é essencial identificar o mais amplamente possível as visões dos moradores sobre os aspectos positivos, as barreiras e as lacunas em termos da vida diária na cidade de Veranópolis. Esta consulta local assegura que as decisões tomadas sejam adequadas e sejam de acordo com as necessidades dos moradores. Além disso, envolver os moradores facilita a obtenção de seu apoio e o engajamento deles como parceiros da ação. A metodologia desta pesquisa de campo segue os parâmetros estabelecidos pelo Protocolo do Rio, desenvolvido pelo Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-Brasil). Esta metodologia foi adequada ao contexto de Veranópolis e submetido para aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) ao final de junho de 2015. Este estudo transversal de base populacional tem como população pesquisada indivíduos de ambos os sexos, a partir dos 18 anos, residentes no município de Veranópolis- RS. De interesse específico é a população acima de 60 anos. A pesquisa de campo coletou dados qualitativos, em grupos focais, entrevistas em profundidade e fóruns públicos, e quantitativos através de um questionário fechado com uma amostra representativa de idosos de Veranópolis. A amostra A população base da cidade de Veranópolis é estimada em 22.810 habitantes, sendo 3.493 (15,3%) pessoas com 60 anos ou mais. Destes, 1.519 (6,6%) são homens e 1.974 (8,7%) são mulheres. A população idosa rural é composta de 734 indivíduos sendo 342 homens e 392 mulheres. A população urbana é composta de 2.759 idosos. 7 Para a pesquisa quantitativa, foi calculada uma amostra representativa dos idosos de Veranópolis, com base no censo de 2010 (3.493 idosos), que foi constituída de 836 participantes, estratificada por sexo e faixa etária. Para a pesquisa qualitativa, não houve cálculo de tamanho amostral, uma vez que o número de indivíduos incluídos foi o dos participantes dos fóruns comunitários (amostragem de conveniência), dos grupos focais e das entrevistas em profundidade; e que inclui pessoas de diferentes faixas etárias (maiores que 18 anos). Critérios de inclusão para a pesquisa quantitativa foi ter 60 ou mais anos de idade e ser residente em Veranópolis e para a pesquisa qualitativa, ter 18 anos ou mais de idade e ser residente em Veranópolis. Indivíduos com comprometimento cognitivo foram excluídos. O recrutamento e locais da realização da pesquisa Os voluntários foram convidados através de anúncio em rádios, grupos de convivência, postos de saúde e jornais locais para participarem da pesquisa (Apêndice II A - Convite geral). Os fóruns públicos foram realizados no auditório Arlindo Caser da Sociedade Alfredo Chavense. A pesquisa quantitativa com aplicação dos questionários quantitativos e os grupos 7 focais no Centro de Convivência da Longevidade do Município de Veranópolis. Parte da pesquisa quantitativa, a pedido dos voluntários, foi realizada em suas residências. As entrevistas em profundidades foram realizadas nas residências dos idosos. Para a pesquisa quantitativa, os voluntários ligaram ao telefone contido no convite e foi marcada a entrevista, conforme a idade e o sexo, completando a amostra. As entrevistas foram realizadas no Centro de Convivência da Longevidade do Município de Veranópolis. Parte da pesquisa quantitativa, a pedido dos voluntários, foi realizada em suas residências. Para os três fóruns públicos com cerca de 50 a 100 participantes por fórum, realizados no auditório da Sociedade Alfredo Chavense, os convites (Apêndice II B - Fóruns 1 e 2; Apêndice II C - Fórum 3) para participação foram feitos através de divulgação em rádios e jornais locais, postos de saúde e grupos de convivência. O primeiro e o segundo fóruns foram direcionados somente a idosos e o terceiro para a população em geral. Os grupos focais foram realizados após os fóruns públicos para permitir um recrutamento direcionado com o objetivo de incluir estas partes da população que ainda não tinham sido ouvidas nos fóruns públicos. Os participantes ligaram ao telefone contido no convite e foi marcada a entrevista, conforme a idade e o sexo e foram sendo inseridos para os grupos. Os grupos foram distribuídos por sexo e faixa etária, da seguinte forma: ? Grupo 1: homens e mulheres de 60-74 ? Grupo 2: homens e mulheres de 75+ ? Grupo 3: homens, 60-74 ? Grupo 4: homens, 75+ ? Grupo 5: mulheres, 60-74 ? Grupo 6: mulheres, 75+ Para permitir ouvir pessoas mais idosas com maiores limitações funcionais foram realizadas as entrevistas em profundidades. Para as entrevistas em profundidade foi solicitada aos postos de saúde e outras entidades da cidade, uma lista com o nome e telefone dos idosos com maiores limitações. Através do número de telefone, aleatoriamente foi realizada uma ligação e explicado o motivo da entrevista, após o aceite do voluntário foi agendada a entrevista com dia e horário. As entrevistas em profundidades foram realizadas nas residências dos idosos. Os instrumentos de pesquisa Na pesquisa quantitativa foram aplicados dois questionários estruturados, um para coletar os dados sócio demográficos e atividades de vida diária dos idosos (Apêndice III), e um sobre os vários aspectos de uma cidade amiga do idoso (Anexo III). O segundo questionário aborda aspectos sobre transporte, moradia, ambiente físico, respeito e inclusão social, comunicação e informação, oportunidades de aprendizagem, apoio e cuidado, oportunidades de participação e emprego. O questionário faz parte do Protocolo do Rio e resulta de uma adaptação autorizada de um questionário desenvolvido e aplicado pela Fundação Euskadi Lagunkoia no País Basco. As perguntas têm uma escala bipolar de respostas, sendo que os indivíduos precisam opinar 8 sobre cada item concordando que algo é ?bom?, ?razoável? ou ?ruim?, ou tem a opção de colocar ?não sei?. Na pesquisa qualitativa foi utilizado o guia de perguntas (roteiro ? Anexo IV) do Protocolo do Rio que aborda os seguintes temas, com perguntas específicas e orientações sobre perguntas para melhor investigar o que foi colocado pelos entrevistados/participantes: ? Ambiente Físico*: inclui espaços externos e internos, sejam públicos ou comerciais. ? Transporte*: todos os serviços de transporte público, estradas, estacionamentos e condições que afetam a direção de veículos. ? Moradia*: configurações externas e internas da habitação pessoal, custo, manutenção e acessibilidade a serviços e oportunidades. ? Oportunidades para Participação: por meio de socialização, recreação, atividade física, trabalho remunerado, voluntariado, participação cidadã. ? Respeito e Inclusão social: comportamento, facilidades e serviços que demonstram o respeito dos membros da comunidade pelas pessoas idosas e que desfrutam de direitos e privilégios iguais. ? Comunicação e Informação: toda a comunicação midiática e conteúdo que oferece informação útil para pessoas idosas. ? Oportunidades para aprender: oportunidades formais e informais para aprender novas informações e habilidades propiciadoras de bem-estar, trabalho e participação na sociedade. ? Apoio e cuidado: disponibilidade de recursos para o autocuidado e suporte e cuidado da família, amigos, vizinhos e serviços comunitários e institucionais. *Temas que abordaram os aspectos sobre Proteção e Segurança, os quais fazem referência à prevenção de acidentes, agravos físicos e de riscos de crimes. O procedimento Na pesquisa quantitativa, os dados foram coletados através de uma entrevista individual a partir de dois questionários estruturados no Centro de Convivência da Longevidade do Município de Veranópolis. Ao chegar ao Centro de Convivência, o entrevistador se apresentou ao participante e fez uma pequena introdução sobre a pesquisa, foi lido o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Apêndice IV A) e, após o aceite, o participante assinou e iniciou a entrevista. No questionário 1 foram abordadas questões sócio demográficas e alguns aspectos da vida diária. No questionário 2 foram abordados aspectos sobre: transporte, moradia, ambiente físico, respeito e inclusão social, comunicação e informação, oportunidades de aprendizagem, apoio e cuidado, oportunidades de participação e emprego. Esse questionário faz parte do Protocolo do Rio e resulta de uma adaptação autorizada de um questionário desenvolvido e aplicado pela Fundação Euskadi Lagunkoia no País Basco. Para coletar os dados qualitativos foram aplicados três métodos: fóruns públicos com um grande número de pessoas, grupos focais com um menor número de pessoas e entrevistas individuais em profundidade. Todas as discussões e entrevistas foram gravadas (apenas o áudio), mas ninguém foi identificado na gravação. A mesma ficou arquivada em dispositivos de 9 arquivo móvel (pen drive) e mantida acessível apenas aos pesquisadores. O que foi dito durante a discussão foi anotado/transcrito e após, a gravação foi apagada. Para os fóruns públicos, foi realizada uma introdução do projeto ao grande grupo e a dinâmica do fórum. Como houve grande procura da população veranense em participar dos fóruns públicos, o grupo foi divido, após a introdução ao projeto e à dinâmica do fórum, para realizar várias discussões em grupos menores (em média 10 pessoas). Antes de iniciar as gravações em grupos menores foi lido o TCLE (Apêndice IV B). Em caso do aceite, cada participante assinou o termo, e só após a assinatura, iniciou-se os questionamentos. Depois das discussões em grupos menores, o grupo todo reuniu-se novamente para ouvir e discutir os relatos, resumindo os resultados de cada grupo. Para os seis grupos focais, inicialmente foi realizada uma introdução do projeto para cada grupo, e, aos participantes que aceitaram participar e continuar no grupo de discussões, foi lido o TCLE (Apêndice IV C). Somente após a assinatura deste, iniciou-se os questionamentos e as gravações. Os seis grupos focais foram realizados com, em média, 8 a 10 pessoas. O facilitador do grupo seguiu o guia de perguntas (roteiro) para orientar a discussão. As entrevistas em profundidade foram agendadas e realizadas nas residências dos voluntários. Foram feitas quinze entrevistas em profundidade. Ao chegar à residência, o entrevistador pesquisador se apresentou e fez uma pequena introdução sobre a pesquisa. Foi lido o TCLE (Apêndice IV D) ao voluntário e, somente após o aceite e assinado o termo, iniciou-se a entrevista. Considerações Éticas O projeto (Anexo V) foi submetido para análise do Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, por meio do sistema Plataforma Brasil e somente foi iniciado após sua aprovação (Anexo VI). O projeto foi aprovado pelo CEP da Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 16/10/2015. A análise Os dados quantitativos foram inseridos em bases de dados eletrônicos (Excel e SPSS) e os áudios dos grupos focais, dos fóruns e das entrevistas em profundidade foram transcritos e codificados em planilhas Excel para posterior análise de texto. Os dados quantitativos foram analisados de maneira univariada para identificar relações entre as variáveis de interesse. As variáveis: idade, renda individual do idoso e percepção da própria saúde; foram categorizadas a fim de correlacioná-las com as frequências das respostas (bom, razoável, fraco, não sei) aos 52 aspectos da cidade. A idade foi agrupada em três faixas etárias: 60 a 69 anos, considerado idoso jovem; 70 a 79 anos e 80 anos ou mais, considerado idoso longevo. A renda individual do idoso foi agrupada em faixas de salários mínimos (SM): até dois SM, maior que dois até cinco SM e renda superior a cinco SM. Os idosos que não declaram sua renda (30 indivíduos) e os que não tinham renda (14 indivíduos) formaram um quarto grupo inserido na análise estatística, porém não considerado, por ser um grupo heterogêneo economicamente. A variável ?percepção da própria saúde? foi agrupada em três níveis: idosos que avaliaram sua própria saúde como ?excelente? e ?muito boa?; idosos que avaliaram como ?boa? e idosos que avaliaram com ?regular? e ?ruim?. As variáveis contínuas foram descritas através de média e desvio padrão. As variáveis categóricas foram descritas através de frequências absolutas e relativas. Para comparação 10 entre os grupos foram utilizados testes de associação, tais como qui-quadrado ou teste exato de Fischer, para variáveis categóricas ou qualitativas. Os dados foram analisados com o programa SPSS versão 18.0. Em todos os testes foi utilizado nível de significância de 5% (p ? 0,05). Os dados qualitativos foram submetidos à análise de conteúdo. Foram codificados por tema e analisados em várias etapas por dois pesquisadores independentes para aumentar a integralidade/abrangência e garantir uma interpretação rigorosa dos dados. Os achados da pesquisa são resumidos neste relatório de pesquisa que servirá como base do desenvolvimento do Plano de Ação das políticas públicas do município de Veranópolis. O que a população nos diz ? criando uma linha de base Perfil da comunidade Foram utilizados os dados de quatro projetos de pesquisas do Projeto Veranópolis que compuseram a amostra dos indicadores do Perfil do Município e abrangeram 58,3% da população de idosos de Veranópolis. A análise dos resultados mostra que esta população se caracteriza por ter uma frequência maior de mulheres (62,4%) e que a faixa etária que abrange o maior percentual de idosos é dos 60 aos 69 anos (42,4%), porém idosos entre 70 e 79 anos, também, representam um grande grupo (38,7%). Outros indicadores que caracterizam os idosos de Veranópolis são: cor da pele branca (94,5%), religião católica (94,1%), moradia própria (92,1%), residência na zona urbana (85,6%), aposentados/pensionistas (94,1%), o estado civil casado(a) (63,4%) seguido dos(as) viúvos(as) e a baixa escolaridade (69,9% tem o ensino fundamental incompleto). A distribuição de renda familiar ou individual do idoso concentra-se entre dois a cinco SM e um a cinco SM, respectivamente, sendo que um terço dos idosos tem uma renda individual de um SM. A a nálise de outras características socioeconômicas mostra que 81,3% dos idosos não desempenham atividade remunerada e recebem apenas suas aposentadorias e/ou pensões; 56,7% participam de grupos de convivência e 57,9% têm plano de saúde. A avaliação do perfil epidemiológico revela que os idosos de Veranópolis se caracterizam por: não fumarem (95,5%), serem independentes funcionais (89,0%) e apresentam uma ou mais morbidades (76,1%). A hipertensão aparece como a principal patologia que atinge os idosos com uma prevalência de 49,2%, seguida da dislipidemia (26,1%), do Diabetes mellitus (DM) (15,3%) e da depressão (14,0%). A presença de câncer é relatada por 4,7% da amostra. Segundo dados fornecidos pelo Hospital Comunitário São Peregrino Laziozzi (HCSPL) de Veranópolis, no ano de 2014, houve 1208 internações de idosos, sendo que destas, dois terços foram de idosos com mais de 70 anos. Ao final da construção do presente perfil percebe-se a riqueza de dados existentes também pelo fato do município já ser alvo de pesquisas que abrangem as áreas de geriatria, gerontologia e pediatria há tantos anos. Indicadores como: distribuição da população de idosos por faixa etária, estado civil, renda, escolaridade, prevalência de algumas patologias, situação de moradia, dentre outros, delineiam-se de extrema relevância para que se inicie uma reflexão acerca das demandas do município e, consequentemente, para que o projeto Veranópolis para todas as idades tenha continuidade e viabilidade. 11 Inventário de serviços e programas Foram identificados dezessete serviços e programas oferecidos aos idosos em Veranópolis, sendo nove deles públicos, quatro público-privados, um privado e três de caráter filantrópico. A maioria é legalmente instituída e obtém seu próprio CNPJ. Sete serviços são voltados exclusivamente para idosos e os demais incluem pessoas de todas as idades. Dez serviços contam com apoio de voluntários. Dos dezessete serviços, quinze não geram nenhum custo para o beneficiário/usuário, um serviço atende alguns idosos de forma gratuita e outros idosos em caráter particular, e outro serviço tem um custo complementar (R$6,00/mensal). Aproximadamente, mais de mil idosos participam ou beneficiam-se dos serviços oferecidos. Enquanto todos os serviços contribuem em todos os aspectos do envelhecimento ativo, sete deles têm um enfoque, exclusivamente, no capital social, ou seja, no pilar da participação e um serviço tem foco na aprendizagem ao longo da vida. Apenas três são exclusivamente voltados para a saúde, embora obviamente contribuam aos outros capitais do envelhecimento ativo. Quatro serviços têm como enfoque principal a proteção do idoso e nenhum deles é especificamente voltado ao capital financeiro. Um dos serviços contempla todos os pilares do envelhecimento ativo, e outro contempla, simultaneamente, os pilares saúde e participação. O perfil dos participantes da pesquisa O número de idosos avaliados na etapa da pesquisa quantitativa foi baseado no cálculo do tamanho amostral apresentado em projeto aprovado (Anexo V) pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. A amostra representativa de idosos de Veranópolis foi calculada com base no censo de 2010 do município (3.493 idosos) e estratificada por sexo e faixa etária, como segue abaixo: Tabela 1 - Descrição da amostra representativa da população de Veranópolis Faixa etária População Masculina (Censo 2010) Amostra Homens População Feminina (Censo 2010) Amostra Mulheres 60 a 64 anos 514 123 542 130 65 a 69 anos 351 84 422 101 70 a 74 anos 297 71 357 85 75 a 79 anos 168 40 270 65 80 a 89 anos 169 40 327 78 90 a 99 anos 20 5 53 13 100 anos ou mais - - 3 1 Total 1519 363 1974 473 Os resultados da pesquisa quantitativa foram obtidos através da aplicação de dois questionários estruturados: questionário 1 (Apêndice III), o qual abordou questões sócio demográficas e alguns aspectos da vida diária e o questionário 2 (Anexo III), que abordou oito temas sobre a cidade (ambiente físico, transporte, moradia, participação, respeito e inclusão social, comunicação e informação, oportunidades de aprendizagem e apoio e cuidado). A amostra final de idosos veranenses consultada para a pesquisa quantitativa foi constituída de 864 indivíduos, número um pouco maior que o calculado (836), e respeitou as proporções dentro das faixas etárias (Figura 1) para cada sexo. Os indivíduos avaliados somaram 491 (56,8%) pessoas do sexo feminino e 373 (43,2%) do sexo masculino (Figura 2); 675 (78,1%) residentes na área urbana e 189 (21,9%) na área rural (Figura 3). 12 Figura 1 - Distribuição por faixa etária em idosos Figura 2 - Distribuição por sexo em idosos Figura 3 - Distribuição da área de procedência (rural/urbano) A descrição das demais características sócias demográficas avaliadas no questionário 1 estão abaixo relacionadas e apresentadas graficamente. No que se refere à raça (Figura 4), obtida de acordo com a classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 835 (96,6%) indivíduos eram brancos, 23 (2,7%) pardos e 6 (0,7%) negros. Figura 4 - Distribuição da raça em idosos 13 Com relação ao estado civil dos idosos (Figura 5), categorizado de acordo com a classificação do IBGE, 568 (65,7%) indivíduos entrevistados eram casados, 200 (23,1%) viúvos(as), 46 (5,3%) solteiros, 21 (2,4%) divorciados, 16 (1,9%) separados e 13 (1,5%) constituíam união estável. Figura 5 - Distribuição do estado civil em idosos A opção religiosa (Figura 6), ou a não religião, foi uma questão abordada, sendo que a grande maioria dos idosos são seguidores católicos (96,2%) e alguns (2,1%) evangélicos. Figura 6 - Distribuição da opção religiosa entre os idosos O nível de escolaridade (Figura 7) dos idosos foi dividido em categorias e teve a seguinte distribuição: 17 (2,0%) indivíduos eram analfabetos; 16 (1,9%) sabiam ler e escrever, mas não haviam frequentado a escola; 557 (64,5%) tinham ensino fundamental incompleto; 66 (7,6%) haviam completado o ensino fundamental; 26 (3,0%) tinham o ensino médio incompleto ou estavam cursando; 97 (11,2%) haviam completado o ensino médio; 12 (1,4%) tinham o ensino superior incompleto ou estavam cursando; 53 (6,1%) tinham o ensino superior completo e 20 (2,3%) tinham pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado, pós-doutorado). 14 Figura 7 - Distribuição da escolaridade em idosos Os idosos que declararam não serem aposentados e/ou pensionistas somaram 49 indivíduos ou 5,7% e os demais 815 ou 94,3% idosos usufruíam de algum tipo de benefício: 630 (72,9%) aposentadoria, 155 (17,9%) pensão e 30 (3,5%) aposentadoria e pensão (Figura 8). Figura 8 - Distribuição de aposentados/pensionistas A questão relativa à ?qual a principal situação ocupacional? referida pelo idoso mostrou que 468 (54,2%) indivíduos consideram-se apenas aposentados e/ou pensionistas e não tem outra ocupação ou trabalho. Outros 331 (38,3%) idosos declararam que são aposentados e/ou pensionistas, mas continuam inseridos no mercado de trabalho, realizando diferentes atribuições como autônomos (8,2%), serviços com carteira de trabalho assinada (4,5%), empregadores (3,6%), serviços sem carteira de trabalho assinada (2,4%) ou classificados como outros (19,6%). A renda individual do idoso (Figura 9) foi uma questão abordada e, quando declarada, categorizada em faixas de salários mínimos (SM). Desta forma, 14 (1,6%) idosos responderam não terem renda, 227 (26,3%) possuíam renda de até um SM, 287 (33,2%) mais de um até 15 dois SM, 112 (13,0%) mais de dois até três SM, 111 (12,8%) mais de três até cinco SM, 83 (9,6%) mais de cinco SM e 30 (3,5%) optaram por não declarar a renda. Figura 9 - Distribuição da renda individual do idoso As cinco principais fontes de renda do idoso identificadas foram: somente a aposentadoria (37,8%), remuneração pelo trabalho atual somada a aposentadoria (25,2%), a aposentadoria somada à pensão (12,7%), somente a remuneração pelo trabalho atual (2,9%) e a aposentadoria somada à renda de aluguéis (2,5%). Além das principais fontes de renda citadas, identificou-se que 6,0% dos idosos contam com a ajuda de familiares. Em contrapartida, um número significativo de idosos, 167 (19,3%) declarou ter dependentes de sua renda. No que se refere à moradia dos idosos (Figura 10), a maioria (93,4%) declarou ter moradia própria, outros 4,2% residem em moradia alugada e 2,2% moram com outras pessoas. O detalhamento do tipo de moradia (Figura 11) é importante para identificar o fácil acesso ou a locomoção facilitada do idoso dentro e nos arredores de sua moradia. Neste contexto, 85,6% dos idosos entrevistados residem em casas individuais e 8,0% em apartamentos com elevador. No entanto, 6,4% dos idosos moram em apartamentos sem elevador. Figura 10 - Distribuição da moradia dos idosos Figura 11 - Distribuição do tipo de moradia Dado a relevância do cuidado familiar do idoso na sua velhice, o número de filhos (Figura 12) pode favorecer a permanência do idoso no meio familiar ao invés de uma institucionalização. Identificamos que 71 (8,2%) entrevistados não têm filhos. Outros 588 (68,0%) idosos têm um filho (14,2%), dois (31,5%) ou três (22,3%) filhos. Ainda, neste 16 contexto, abordamos o convívio do idoso em sua residência (Figura 13) e foi possível identificar que 123 (14,2%) idosos vivem sozinhos e os demais moram com outras pessoas: 325 (37,6%) moram com o cônjuge, 248 (28,7%) vivem com o cônjuge e filhos e 121 (14,0%) idosos vivem com seus filhos. Figura 12 ? Número de filhos Figura 13 - Distribuição do convívio do idoso em sua residência Abordando a convivência e participação na comunidade, questionou-se ao idoso se participa com frequência, ou seja, pelo menos uma vez por mês, de grupos ou associações ou faz algum trabalho voluntário. A maioria dos idosos (76,7%) respondeu positivamente a esta questão. As principais atividades (Figura 14) realizadas por estes idosos são: reunião com amigos (69,7%), trabalho voluntário (52,8%), associação comunitária (52,5%), grupo religioso (48,6%), grupo de esportes (18,7%) e grupo da terceira idade (18,4%). Figura 14 - Frequência da participação dos idosos em grupos/associações na comunidade No âmbito da saúde e atividades de vida diária dos idosos, algumas questões foram abordadas. A percepção do idoso a propósito de sua saúde (Figura 15) foi questionada e classificada da seguinte forma: 370 (42,8%) idosos classificaram como ?boa?, 317 (36,7%) como ?regular?, 86 (10,0%) como ?muito boa?, 57 (6,6%) como ?excelente? e 34 (3,9%) classificaram sua saúde como ?ruim?. 17 Figura 15 - Distribuição da percepção da saúde dos idosos As dificuldades em realizar as atividades de vida diária (AVDs) tendem a comprometer a qualidade de vida dos idosos. No geral, dos 864 indivíduos entrevistados, 29 (3,4%) relataram ter dificuldades em realizar algumas das AVDs. Porém, um percentual mais elevado foi observado em idosos com 80 anos ou mais (Figura 16). Para todas as idades, dentre as atividades relatadas, 27,6% tem dificuldade em vestir-se; 10,3% apresentam dificuldade em ir ao banheiro e de alimentar-se; 58,6% em transferir-se; 13,8% apresentam problemas de continência urinária e 31,3% tem dificuldade para tomar banho. Figura 16 - Distribuição dos idosos que têm/não têm dificuldade nas atividades de vida diária (AVDs) Aos idosos, também, foi questionado se tem alguma limitação dentro de casa. No geral, dos 864 indivíduos avaliados, 786 (90,1%) responderam não ter limitações dentro de sua moradia. Avaliando por faixa etária, observou-se que a proporção de idosos com limitações cresce conforme aumenta a idade, sendo maior nos idosos com 80 anos ou mais (Figura 17). 18 Figura 17 - Distribuição dos idosos que não tem/tem uma ou algumas limitações dentro de casa No questionamento se o idoso consegue fazer compras de alimentos, roupas e medicamentos, etc. 793 (91,8%) responderam conseguir fazer estas atividades sozinho(a) e os demais 71 (8,2%) idosos necessitam de ajuda de terceiros (Figura 18). No questionamento se o idoso consegue ir a consultas médicas, eventos sociais ou religiosos, 774 (89,6%) responderam conseguir fazer estas atividades sozinho(a) e os demais 90 (10,4%) idosos necessitam de ajuda de terceiros (Figura 19). Figura 18 - Distribuição da independência do idoso para fazer compras de alimentos, roupas, medicamentos, etc. sozinho Figura 19 - Distribuição da independência do idoso em ir a consultas médicas e eventos sociais ou religiosos sozinho Uma Cidade para Todas as Idades ? como é e o que falta? A seguir são apresentados os resultados do questionário 2 (ANEXO III), realizado com 864 idosos e que abordou oito temas sobre a cidade: ? ambiente físico, ? transporte, ? moradia, ? participação, ? respeito & inclusão social, ? comunicação & informação, ? oportunidades de aprendizagem 19 ? e apoio & cuidado. As frequências das respostas (bom, razoável, fraco, não sei) a cada um dos 52 aspectos do questionário 2 estão descritas no texto e, também, apresentadas graficamente (Figuras 20 a 27), agrupadas por tema. A representação gráfica contém no eixo horizontal o valor percentual das quatro respostas e no eixo vertical os aspectos/perguntas relativos a cada tema. As hipóteses testadas (página 4) foram aplicadas aos 52 aspectos, ou seja, cada uma das quatro hipóteses de pesquisa foi analisada num modelo univariado, testando hipótese versus aspecto. As associações pertinentes são apresentadas após a descrição da pesquisa quantitativa de cada tema. Após a descrição dos resultados quantitativos e associações de cada tema, encontram- se os resultados da pesquisa qualitativa sobre o mesmo tema que trazem informações mais profundas, às vezes explicando os resultados quantitativos, dando exemplos e sugestões concretas de como barreiras atuais podem ser superadas. Ambiente físico Quantitativo ? Na avaliação da manutenção das calçadas, altura e acessibilidade para cadeiras de rodas, 79,7% dos entrevistados qualificaram como razoável (37,0%) e fraca (42,7%). Apenas 18,2% dos idosos responderam ?bom? a este aspecto. ? Qualificando os banheiros públicos como limpos e acessíveis, 45,3% dos idosos responderam que não frequentam e não saberiam opinar. As demais avaliações foram equilibradas: 16,2% ?bom?, 18,3% ?razoável? e 20,3% fraco. ? Considerando se há bancos públicos disponíveis para descanso, 62,2% dos participantes responderam ?bom? e 20,9% ?razoável?. ? Em relação à existência de áreas agradáveis para passeios no município, 50,9% responderam como ?bom?, 22,3% ?razoável?, 20,6% ?fraco? e 6,1% não souberam responder. ? Avaliando se as ruas são bem iluminadas à noite, 60,8% responderam que a iluminação está boa, 23,7% razoável, 11,3% fraca e 4,2% não souberam opinar. ? Ao questionamento quanto ao tempo do sinal de pedestres nos cruzamentos ser suficiente, 44,9% dos entrevistados acham bom e 22,8% não souberam responder e os demais responderam como razoável (17,6%) e fraco (14,7%). ? Quando os idosos foram indagados para a questão ?Posso entrar nos prédios, circular por eles e depois encontrar a saída sem dificuldades?, 71,5% acha que sim sem dificuldades, 13,1% responderam razoável e 10,1% tem dificuldades. ? Na avaliação da existência de segurança para prevenção de acidentes, as opiniões quanto à qualificação são semelhantes: 31,0% ?bom?, 34,4% ?razoável? e 27,1% ?fraca?. Um percentual de 7,5% não soube opinar. ? Para a questão sobre se existe proteção contra roubos e assaltos, um grande número de idosos (680 indivíduos ou 78,7%) responderam que esta proteção é fraca. Apenas 5,2% dos participantes responderam ?bom? e 13,3% ?razoável?. ? Quanto à qualificação do acesso às lojas e serviços, a grande maioria (88,7%) respondeu ?bom?, 7,9% ?razoável? e apenas 1,2% acha ?fraco?. 20 Figura 20 - Gráfico de frequências das respostas aos aspectos do tema ambiente físico Os dez aspectos que compõe a temática ambiente físico foram analisados em testes de quatro hipóteses. Nas hipóteses 1 e 2 (página 4 do relatório), em que se categorizaram as idades dos idosos por faixas etárias, observou-se que as percepções sobre o aspecto sete (Posso entrar nos prédios, circular por eles e depois encontrar a saída sem dificuldades) foram determinadas por esse fator (p<0,001). A opinião ?bom? foi inversamente associada com o aumento da idade, ou seja, 82,7% dos idosos jovens (60 a 69 anos) avaliaram de forma mais positiva que os 65,2% dos idosos com idades entre 70 e 79 anos e dos 47,9% idosos longevos (? 80 anos). O mesmo aspecto foi associado à renda individual do idoso (hipótese 3), sendo que a diferença ocorreu nas respostas do grupo de idosos com renda até dois SM comparado aos dois grupos de renda mais alta (p<0,001). Assim, 63,8% dos idosos com renda mais baixa responderam ?bom? a este aspecto, comparados aos 82,5% dos idosos com renda intermediária e 85,5% com renda superior a cinco SM. Da mesma forma, 14,2% dos idosos com renda até dois SM responderam ?fraco? ao aspecto apresentado comparado com os 3,6% de idosos com renda intermediária e 4,8% com poder aquisitivo maior. O sétimo aspecto, novamente, foi associado, desta vez, à hipótese 4, sobre a percepção da própria saúde do idoso, onde aqueles que avaliaram sua saúde de forma mais positiva, também, avaliaram melhor o aspecto. Neste sentido, 85,3% dos idosos que percebem sua saúde como ?excelente? e ?muito boa? e 77,3% dos que acham sua saúde ?boa? avaliaram este aspecto como ?bom? diferente dos 59,8% dos idosos que percebem a própria saúde como ?regular? ou ?ruim? (p<0,001). Qualitativo Quando questionados sobre o ambiente físico em Veranópolis, os veranenses que participaram da pesquisa qualitativa num primeiro momento mencionaram vários aspectos positivos relacionados ao ambiente físico, inclusive colocam como motivos para se mudar para Primeira avaliação positiva 21 Veranópolis, o clima e a localização. "Eu não sou de Veranópolis, mas escolhi viver aqui depois que me aposentei, pois acho que tem um clima maravilhoso e uma ótima localização geográfica em relação aos centros maiores como Porto Alegre, Passo Fundo, Caxias do Sul." (H) (homem) Em geral a cidade foi representada como ?bem planejada? com ruas largas, pouco ruído, boa acessibilidade porque ?tudo é perto?, boa sinalização, banheiros e bancos públicos razoáveis e melhorias nas calçadas. "Por outro lado, se pode respirar ar puro e não é preciso um meio de transporte para ir de um lugar ao outro, tudo é mais ou menos perto." (M) (mulher) Clima e localização Proximidade dos locais Enquanto que de forma geral e em um primeiro momento a cidade foi bem avaliada em termos de ambiente físico, foram identificados vários aspectos que merecem melhorias quando houve aprofundamento do tema. Por exemplo, ao mesmo tempo em que valorizaram as vagas exclusivas para idosos, a falta de estacionamento e o desrespeito com as vagas do idoso, principalmente no Centro, foi assunto de várias queixas. ?Tem uma vaga e, às vezes, vai uma pessoa e fica o dia inteiro? (M) Durante as discussões em profundidade foi revelado que a sinalização não é boa em todas as partes da cidade. O Centro e a Femaçã foram identificados como os bairros com melhor sinalização, já as ruas novas foram identificadas com falhas tanto na quantidade como na qualidade das placas de sinalização, assim como nas comunidades do interior. Neste aspecto foi mencionado que em algumas placas as letras são tão pequenas que dificultam a leitura e em outras as letras estão apagadas por falta de manutenção. ?Algumas ruas, não se sabe de quem é a preferencial, no arco, ali na rua que vai pra São Pelegrino, não tem placa e a placa que vai pra Cotiporã tá completamente apagada." (M) "As placas de sinalização estão apagadas. Falta manutenção." (M) "Muita gente me pergunta como vai para os bairros, quando as pessoas chegam na BR (rodovia BR), não sabem por onde entrar para ir pra determinado bairro." (M) Falta de estacionamento para o idoso Sinalização fraca em alguns pontos da cidade Enquanto que a tranquilidade na cidade foi mencionada como ponto positivo, várias pessoas dizem que, principalmente, as motos geram muito ruído, muitas vezes, atrapalhando o sono durante a noite. "Tem uma gurizada com moto, que, às vezes, tu nem consegue dormir." (H) ?O barulho das ruas atrapalha, muitas vezes não conseguem ouvir a televisão.? (H) "Barulho tem bastante, acho que é a rua mais movimentada de toda a cidade, é a principal rua do Bairro (Santo Antônio), é barulho o tempo todo. Daqui vai pra Santa Rita, pro Pôr do Sol, Ruído das motos que circulam de alta velocidade 22 pro ginásio, pro posto de saúde, pra escola." (M) O clima foi avaliado como um ponto favorável, porém foi identificado como uma falha a falta de abrigo em dias de chuva e sol forte. Outro aspecto que recebeu atenção positiva e negativa foi a geografia: os morros dificultam a locomoção. ?Num dia de chuva é muito difícil sair de casa.? (M) Falta de abrigo para sol e chuva A chuva não apenas gera uma barreira em termos de se molhar, mas também deixa as calçadas muito escorregadias, não só pela água, mas também por causa do limo e das folhas e flores que caem das árvores. Além disso, as fezes de cachorros e as raízes das árvores que levantam as lajes foram frequentemente mencionadas como obstáculos nas calçadas que já são perigosas por causa do desnível interno e desnível entre a calçada e rua. "Se para a gente, a calçada cheia de limo já é ruim, imagina para os idosos." (M) ?É muito cheio de limo... quando chove, eu não venho mais para o centro. Tu tem que andar no meio da rua, porque na calçada tu cai." (M) "A R. Eduardo Buarque é péssima, plantas que crescem no meio da calçada, fezes de cachorros, pouco ou nenhum espaço para cadeirantes." (M) Calçadas perigosas As árvores também foram identificadas como risco em termos de visão. Tiram a visão do pedestre e do motorista em cruzamentos, por exemplo. "As árvores são perigosas, acabam atrapalhando a visão no trânsito. Seria interessante podar as árvores, pois, os galhos avançam pela rua e a gente não enxerga os carros que vem." (M) Enquanto foi reconhecido uma melhoria na acessibilidade com a instalação de novas rampas, ainda assim, a falta de rampas foi mencionada como um p onto fraco. Não teve consenso sobre a acessibilidade de prédios. Lugares como a Sociedade Alfredo Chavense (SOAL), uma das pizzarias da cidade, a Prefeitura, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), o Posto de Saúde Central e alguns consultórios de médicos foram identificados como de difícil acesso. "A SOAL tem uma escada enorme, não tem condições de idosos subirem. Outro lugar que é impossível é naquela pizzaria O Coliseu. Ouvi dizer que quando faziam festa de criança lá, uma cadeirante teve que ser carregada para cima. Não adianta, quem constrói hoje, precisa pensar na acessibilidade." (M) "A prefeitura também deveria ter um elevador, o prefeito fica no terceiro andar, se alguém precisa falar com ele, tem que subir até lá!" (H) As calçadas foram avaliadas como deficientes, com grande desnível, pedras soltas, e trechos sem calçadas. Neste aspecto falou-se também Prédios inacessíveis, inclusive prédios públicos Falta de espaços para fazer 23 das construções, onde são abertas valas que depois são fechadas de forma precária. Também, foi mencionada a existência de terrenos baldios, falta de lixeiras nas ruas, bem como o fato das pessoas depositarem lixo nas calçadas. ?Durante as construções são abertas valas e nunca mais ficam iguais.? (M) ?Faltam lixeiras nas ruas.? (H) ?Pessoas depositam lixo (pedaço de madeira, sofá, telhas) e o serviço de coleta leva somente o que está na lixeira.? (M) ?[Existem] lajes das calçadas soltas, o idoso pode cair e se machucar.? (H) "As calçadas são ruins, tem partes que nem dão para caminhar, estão todas levantadas, já levei dois tombos na rua." (M) Como sugestões foram mencionadas a obrigatoriedade por parte do poder público de que cada cidadão construa calçada no seu terreno. ?Deviam fazer uma lei que cada um cuidasse da sua calçada.? (M) "A prefeitura deveria cobrar dos donos dos terrenos, a construção das calçadas." (M) Quando foram questionados acerca de espaços públicos para caminhar, fazer atividade física ou socializar; os veranenses, principalmente os idosos, sentiram falta de espaços planos, abertos ao público e em lugar acessível para fazer caminhadas. Um dos obstáculos maiores para acessar os espaços existentes é a distância e a existência de lugares privados, onde só entram sócios. O Recanto Medianeira foi apontado como um bom lugar para fazer caminhadas, mas algumas pessoas mencionaram o perigo de atravessar a rodovia federal BR 470 e o fato de que é um lugar privado que, muitas vezes, se encontra fechado para a realização de eventos internos. "Áreas públicas mesmo, não tem. No Caça e Pesca tem que ser sócio e nos Irmãos Maristas, quando tem algum evento interno, eles fecham, na verdade, eles estão fazendo um favor em deixar aberto para a comunidade." (M) ?Tem áreas para caminhadas, mas para ir lá preciso pegar um táxi. Precisaria de transporte. É caro de táxi.? (M) ?Há muita dificuldade para atravessar a BR porque há muito movimento de caminhões e carros.? (M) "A academia da praça não tem proteção contra sol e chuva, dependendo do horário no verão é muito calor, no inverno é frio." (M) Em relação aos bancos públicos para sentar foi mencionado a falta de bancos na sombra e a depredação como maiores pontos negativos. Também foi dito que faltam bancos já que em dias propícios para descansar na praça há concorrência entre os cidadãos com necessidades diferentes. Este uso variado do espaço, como por caminhadas Travessia perigosa da BR Bancos muito demandados 24 exemplo, crianças andando de bicicleta, skate e jogando bola foi identificado como um risco, principalmente, para os mais idosos, que desejam passear ou descansar. ?Existem bancos públicos suficientes para descanso, mas eles são depredados frequentemente.? (M) "Um dia num final de tarde, eu e minhas vizinhas combinamos de ir tomar um chimarrão na praça, chegamos lá e não tinha mais bancos para sentar. Era criança correndo para tudo que era lado." (M) "Na praça tem bola, skate, bici[cleta], tu é alvo de tudo que vem do ar." (M) "Todo mundo se concentra na praça, domingo é cheio de crianças, de pessoas tomando chimarrão e os idosos sujeitos a levarem uma bolada." (M) Como sugestão para este aspecto foi falado sobre a colocação de bancos em canteiros largos, e que todas as ações devem ser pensadas a partir do envelhecimento da população que é uma nova realidade que se coloca. "Podiam fazer como em Nova Prata: canteiros largos com bancos para sentar." (M) "A população tá envelhecendo, eu sou uma pessoa que leio, mais 50 anos, mais da metade da população brasileira vai ser de idosos, não dá mais para fazer as coisas pensando só nos jovens, muito pelo contrário. Uma vez as pessoas morriam com 50 anos, hoje em dia vivem até os 90 anos." (M) Em relação aos banheiros públicos, a opinião ficou bastante dividida, mas, em geral, pode-se dizer que a maioria das pessoas evita usá-los, porque são conhecidos como lugares sujos e hostis. Os veranenses reconhecem que há muito vandalismo e depredação por parte da própria população. Foi identificado como problema o acesso aos banheiros por cadeirantes, uma vez que as portas não são adequadas. "Nunca frequentei os banheiros públicos, mas ouço falar com muita frequência que são sujos e depredados." (M) ?Um dia precisei utilizar o banheiro público e quando entrei perdi a vontade, pois estava muito sujo e depredado.? (H) ?Não consegue entrar com a cadeira, em primeiro lugar as portas não são adequadas?. (M) Quando perguntado sobre como é entrar nos prédios, circular por eles e encontrar a saída sem dificuldade, a maioria dos participantes respondeu que é fácil, entretanto uma parcela de idosos relatou certa dificuldade, colocando que falta sinalização no interior de alguns prédios comerciais e em alguns deles falta elevador. "Alguns prédios são bem confusos, aquele na frente do Bavaresco que tem consultórios a gente não se acha, dentro dele, não tem identificação nenhuma." (M) "Em alguns prédios públicos falta elevador." (M) Banheiros públicos depredados 25 Em relação à acessibilidade, muitos entrevistados, colocam a dificuldade de idosos e pessoas com deficiência circulares por espaços públicos. "A praça central tem uma academia para idosos, pelo menos é o que sinaliza a placa, e é um absurdo porque não tem uma rampa de acesso. Assim como tem um balanço para cadeirante e o acesso é brita, não sei como o cadeirante vai chegar no balanço, talvez de helicóptero. E os equipamentos da academia da terceira idade estão ali num sol de rachar, que não tem de ser humano que consiga ficar ali no verão. E somado a isso não tem um profissional que fique ali para auxiliar." (M) "Para os deficientes, as calçadas são bem ruins, agora que algumas têm espaço para os deficientes visuais caminharem, mas em poucos lugares. Tem plantas que para o embelezamento é 100%, só que para o deficiente físico atrapalha um monte. Para mim também as flores atrapalham, quando caem na calçada, a muleta perde a aderência, então é muito fácil cair." (H) A questão de proteção contra roubos e assaltos teve grande repercussão entre os entrevistados. Quando aprofundada esta questão, os participantes ou tinham passado por situações de assalto ou roubos, ou conheciam alguém bem próximo que havia passado por tal situação. ?Entraram na minha casa pela janela do quarto, em plena luz do dia. Meu filho estava na cozinha tomando café, levaram 3 abrigos dele, o celular, um tênis novo. Há mais de 40 anos morando ali, isso nunca tinha acontecido." (M) "Não dá mais para sair na rua de noite, principalmente os idosos. Minha tia, por exemplo, que tem 83 anos adorava ir tomar sorvete na praça, mas não vai mais em função da falta de segurança. As vizinhas dela já foram assaltadas." (M) "Tem muita bandidagem, não dá nem para ir receber [a aposentadoria] sozinha!? (M) Existe a queixa recorrente da falta de segurança nos espaços públicos e a sensação de não estar seguro, tanto pelas ocorrências quanto pela visível falta de policiamento. ?Tem muito assalto em bares, lancherias.? (H) ?O cemitério é muito perigoso, não se pode mais visitar os túmulos.? (M) ?A polícia prende, porém logo eles são soltos.? (M) "A segurança é deficiente, brigadiano tu não vê, uma vez tu via o carro da polícia passando, agora tu não vê mais." (M) "Brigadiano tu não acha na rua, se precisa de alguma urgência, tu não encontra. E agora ainda por cima, a delegacia não tem mais plantão de noite, aí tem que correr pra Bento, senão fica assim." (M) "A segurança é um problema, não temos mais. Escutei uma notícia essa semana que uns sessenta soldados serão Preocupação com roubos e assaltos 26 incorporados, mas para Veranópolis não sei se vem algum, sessenta é pouco para o estado inteiro e todas as cidades estão se queixando que não tem segurança." (H) Resumo No aspecto ambiente físico, alguns itens da pesquisa quantitativa se alinham com a pesquisa qualitativa, como por exemplo, o acesso a lojas e serviços, a sinalização dos prédios, a existência de bancos públicos para descanso e a travessia de ruas foram avaliados de forma positiva em ambas as modalidades de pesquisa. Em relação à existência de áreas verdes para passeio, avaliada de forma positiva na quantitativa, quando aprofundada na qualitativa, apareceram muitas queixas que revelam a falta de áreas públicas para passeios, bem como colocam como empecilho a distância em relação às áreas privadas onde se pode fazer caminhadas. No que se refere à questão sobre a altura, manutenção e acessibilidade das calçadas; à questão que trata sobre a existência de proteção contra roubos e assaltos; e à questão que avalia a sinalização das ruas, em ambas as modalidades da pesquisa, foi avaliada de forma negativa. Os participantes levantaram muitas queixas acerca do desnível e da falta de acessibilidade das calçadas, bem como da existência de limo, folhas, fezes de animais que acabam comprometendo o trânsito de pedestres. A questão que abordou existência de proteção contra roubos e assaltos foi amplamente discutida, e é consenso que circular pela cidade está cada vez mais perigoso, sendo que todos os participantes ou haviam passado por situação de perigo ou conheciam alguém que havia vivenciado tal situação. Tais relatos confirmaram a preocupação revelada na pesquisa quantitativa, a qual apresentou que 680 idosos (78,7%) avaliaram a existência de proteção contra roubos e assaltos como fraca. Transporte Quantitativo ? Qualificando o transporte público se é confortável e acessível para pessoas com problemas de mobilidade, 71,7% dos entrevistados responderam que não utilizam o transporte e não saberiam opinar. As demais avaliações foram: 14,0% ?bom?, 9,3% ?fraco? e 5,0% ?razoável?. ? Com relação aos pontos de parada do transporte público se ficam próximos aos prédios e residências, 51,6% dos idosos não souberam responder, 24,5% relataram ser ?bom?, 15,4% ?razoável? e 8,4% ?fraco?. ? Avaliando os pontos de parada do transporte público se têm assentos e proteção contra sol e chuva, 46,5% dos entrevistados não souberam opinar, 24,3% classificaram como ?bom?, 19,4% ?razoável? e 9,7% ?fraco?. ? Quanto aos destinos e as rotas se são bem sinalizados, 36,2% dos idosos responderam ?bom?, 33,2% responderam que não sabiam, 21,6% ?razoável? e 8,9% ?fraco?. ? Em relação aos veículos, se têm assentos prioritários que são respeitados, 74,8% dos idosos não souberam responder. As demais avaliações foram equilibradas: 9,5% ?bom?, 9,4% ?fraco?, 6,4% ?razoável?. 27 ? Para a questão sobre se existe proteção de riscos e acidentes para o transporte, 41,1% dos entrevistados não souberam responder, 21,1% classificaram como boa, 20,3% como fraca e 17,6% razoável. ? Avaliando se existe proteção contra roubos e assaltos, 41,9% dos idosos responderam ?fraco?, 38,5% não souberam responder, 13,1% ?razoável? e 6,5% ?bom?. ? Com relação aos motoristas, se são educados e respeitam as regras de trânsito, 46,5% dos entrevistados responderam ?bom?, 32,1% ?razoável? e 10,4% ?fraco?. Um percentual de 11,0% dos idosos não soube responder. ? Na questão se existe suficiente estacionamento para carros próximo aos serviços, um número expressivo de idosos, 596 ou 69,0% qualificaram como ?fraco?, apenas 68 entrevistados ou 7,9% acham ?bom? e 16,2% ?razoável?. Um percentual de 6,9% não soube responder. ? Com relação ao serviço de táxi se é confiável e de preço acessível, 49,5% dos idosos não souberam responder, 37,8% acham ?bom?, 9,5% ?razoável? e 3,1% ?fraco?. Figura 21 - Gráfico de frequências das respostas aos aspectos do tema transporte A temática transporte, com 10 aspectos questionados, mostrou poucas associações nos testes das quatro hipóteses de pesquisa. Nas 1ª e 2ª hipóteses, sobre a influência da idade sobre percepções mais positivas ou negativas da cidade, observou-se que apenas o aspecto a respeito da educação dos motoristas (oitavo aspecto) teve associação (p=0,001), corroborando a hipótese um, mas não a hipótese 2. Assim, os idosos longevos (56,4%) e os idosos com idades entre 70 e 79 anos (54,2%) avaliaram de forma mais positiva que os idosos jovens (38,8%). Uma possível explicação para este achado é os idosos mais velhos associarem esta questão ao respeito da preferência nas faixas de segurança. Para a hipótese 3, ocorreu a associação de cinco dos dez aspectos, porém todos contrários à hipótese formulada, ou seja, uma percepção mais negativa foi associada aos idosos com poder aquisitivo mais alto. 28 A quarta hipótese sobre a influência da qualidade da saúde do idoso sobre suas percepções positivas/negativas da cidade, não foi corroborada para nenhum aspecto do tema transporte. Qualitativo Quando aprofundada, a temática ?transporte? através da pesquisa qualitativa confirmou-se que a maioria dos idosos não utiliza o transporte público. A não utilização se dá pelos seguintes motivos: possuem carro próprio; pela proximidade dos lugares que frequentam; muitos pegam carona com filhos e outros familiares; custo elevado; e por fim, porque o ônibus não atende a região onde moram. ?Moro longe do centro, mas tenho carro.? (M) Além disso, foram identificadas lacunas no transporte público, de ambos: usuários e não usuários que explicam porque não o utilizam. Foi mencionado o alto custo para quem ainda não tem 65 anos, a falta de educação por parte de alguns motoristas que não esperam os usuários sentarem ou param fora do ponto. Mencionam, também, a inadequação das paradas de ônibus, sem proteção para o sol ou para a chuva e a altura do próprio ônibus como fator de dificuldade de acesso. Também, houve queixa de que as rotas de ônibus não atendem toda a cidade e que os horários nem sempre são comunicados. "Não uso mais porque a tarifa aumentou bastante, estava R$2,40 e passou para R$2,90, então como eu moro lá no Bairro (Santo Antônio), mas é mais perto do Centro, acabo não utilizando mais. Mas, tem vezes que pego carona. Gostaria que para os idosos fosse um pouco mais barato, eu ganho um salário mínimo para tudo, se eu for pagar transporte, não sobra para mais nada. Só é mais barato a partir de 65 anos." (M) ?O ônibus que vai para Lajeadinho está bom, mas o motorista corre demais... E às vezes tem uns que quando a gente entra, não esperam nós sentar.? (M) ?No ponto que eles têm que parar, eles passam até cem metros... já é várias vezes, passa a minha casa, passa o ponto de ônibus e vai mais cem metros para lá. Eu falei já várias vezes, é uma pessoa (motorista) só, os outros não. ? (M) ?No ano passado eu tinha uma criança que eu levava para creche, então tinha o motorista que carregava as crianças, ele corria demais, às vezes não esperava a criança descer... Tem motoristas que ainda, quando levam as crianças, que não tem educação, nem com a pessoa idosa, nem com a criancinha. ? (M) ?O transporte público tem que ter condições melhores para os idosos embarcarem, ter onde se segurar.? (M) ?Tem motorista que não deixa, é mais fácil entrar na segunda porta (porta traseira), dificulta entrar pela frente.? (M) ?Tem a catraca, pessoa de idade não consegue passar fácil na Questões a serem melhoradas no transporte público 29 catraca.? (M) ?Eu acho que os ônibus pra pessoas de idade são muito altos, é difícil.? (M) ?Lá na rua Eduardo Buarque não tem nenhum abrigo e quando chove, as crianças ficam todas lá embaixo da chuva. Precisa um banco para sentar. Tem uma senhora de idade, coitada, ela fica lá embaixo de chuva com a criança no colo. Precisaria mais abrigos e mais bancos para sentarem. ? (M) ?Não tem paradas, sem bancos, sem proteção de sol e chuva.? (M) ?Lá na Palugana, nas ruas onde tem crianças que pegam para ir para a creche, tem que colocar (mais paradas de ônibus) porque está precisando.? (M) ?Nós não temos meios de transporte, eu moro num bairro bem longe do Centro, eu tenho que vir a pé, não existe ônibus, transporte... Já é uma reclamação, transporte não tem para a gente se locomover, é longe, eu tenho uma idade que eu ainda consigo caminhar, mas tem muitos senhores que a gente conversa, pessoas de idade, que não tem essa capacidade. Lá deixa muito a desejar.? (M) "Se tivesse ônibus no meu Bairro (Femaçã), eu usa ria o transporte público." (M) ?Às vezes eles mudam o horário e você não fica sabendo.? (M) ?A maioria não utiliza (o transporte público), mas se tivesse uma divulgação de que esse ônibus urbano passa em tal horário e em tal local, assim diariamente. Eu acho que uma certa parcela da população consegue usar.? (M) ?Eu moro num bairro mais afastado, mas nem tanto, é um bairro muito visitado por turistas porque lá tem muita vegetação, o pessoal gosta de ir para caminhar, mas eu não vejo ônibus, de transporte, realmente não tem mais. Se tiver, de vez em quando, um que outro aparece, mas a gente não sabe o horário. Tem muita gente, pessoas idosas, às vezes não têm familiares, fica muito difícil se locomover, vir até o Centro.? (M) Foram também colocados pontos positivos em relação ao transporte público, como os horários bem pensados e uma melhoria do serviço nos últimos anos. ?Eu tenho uma amiga que trabalha no hospital... E é bem longe. Eu acho que os usuários estão satisfeitos.? (M) ?A parada de ônibus perto de casa, essa é bem legal, tem banco para sentar, fica na sombra.? (M) ?Havia muitas reclamações, as reclamações eram constantes. Hoje, não se houve mais.? (H) ?Nosso caso lá (Monte Bérico e Lajeadinho), muito bom, você Pontos positivos do transporte público 30 tem ônibus às 6h da manhã, 15 para as 7h sobe, às 8h desce, sobe às 10h, volta ao meio-dia. Sobe à uma, volta às 4h, sobe às 5h, volta às 6h. Bom demais para nós. A gente utiliza o carro porque tu não vai fazer só uma coisa na cidade. Pessoa de idade lá, já não utiliza mais o carro. Os horários são certinhos. ? (H) "De tarde tem às 12:40h, 13:30h e aí começa a ter mais horários conforme os funcionários vão saindo das firmas." (M) Outros posicionamentos interessantes foram colocados, explicando as dificuldades em melhorar o serviço de transporte público em uma cidade pequena. ?É que para fazer um serviço público urbano tem que ser acima de 50 mil pessoas. Senão não comporta, daí tem que pegar as empresas, pegar os estudantes e assim mesmo vocês já viram quanto passa de ônibus vazio, e aí, é motorista, é despesa, é inviável.? (H) ?O ônibus não pode passar por uma ou duas pessoas só, pouca procura.? (M) Outros posicionamentos sobre o transporte público Em relação à falta de vagas de estacionamento, a grande queixa gira em torno da falta de conscientização das pessoas em relação à ocupação das vagas durante muito tempo, principalmente por parte de quem trabalha no comércio no centro da cidade. Observou-se também pouca fiscalização em relação à vaga para idosos e para deficientes físicos. ?Tem uma vaga, às vezes vai uma pessoa e fica o dia inteiro.? (M) "Eu acho que deveria ter limite de tempo, não é porque é idoso que pode ficar o dia todo estacionado." (M) ?Tem muitos lugares (entradas de residências e comércio) que tem um excesso de faixa amarela, tem 3 metros para um lado e mais 3 metros para o outro.? (H) "Outro dia tinha um cara que trabalha com eletricidade ocupando a vaga do idoso, provavelmente ele não era idoso. Falta fiscalização." (H) ?O que a gente percebe é que tem funcionários das lojas que estacionam o carro de manhã às 7 horas e só saem às 6 horas da tarde.? (M) ?Tem quem mora a poucas quadras e deixa o carro aí (nas duas principais avenidas do centro da cidade), que nem a minha irmã... eu disse para ela: Mas vem cá, caminhe um pouquinho!? (H) ?No shopping (centro comercial e de saúde) não tem vaga para deficiente... Uma deficiente tinha hora com a fisioterapeuta e ela tinha dificuldade para desembarcar e não tinha a vaga de deficiente.? (M) Falta vagas de estacionamento 31 ?Está difícil para todo mundo na cidade. E semana passada falaram na rádio que tem estacionamento demais para deficiente físico, eu acho que não. Estas vagas estão sempre ocupadas o dia todo. Não tem quem fiscalize. Um belo dia encontrei uma ?camionetona? de Flores da Cunha estacionada na vaga de deficiente, aí consegui estacionar bem pra baixo do Banrisul, quase na outra esquina. Aí falei para o guarda: 'olha, tem um carro estacionado na nossa vaga'. Então ele me disse: 'Mas ele já vai sair, nem te preocupa.' Mas eu tive que estacionar lá embaixo. No dia seguinte a vaga estava vazia, eu estacionei, coloquei meu cartão no painel do carro e cruzei a rua. Aí o guarda me disse: 'colocou o cartão no painel?' Eu disse que sim, mas devia ter dito para ele olhar. São coisas que acontecem, mas eu não esqueci.? (H) Neste aspecto, no quesito estacionamento, muitas pessoas mencionam o sistema de estacionamento rotativo como alternativa na minimização do problema. ?Teria que pagar, porque o gringo que é ?pão duro? deixa o carro em casa.? (M) ?Eu uso muito o carro por causa dos horários, porque eu moro longe, eu vou trabalhar, eu levo minha filha para a escola. Mas, tu chega no centro da cidade, opa! Não tem onde estacionar. Eu não sei quem faz os estudos de faixa de segurança, elas estão absurdamente mal colocadas, instaladas. Quem dirige sabe do que eu estou falando... E além disso, uma falta de uma política mais efetiva nesse sentido, que é um estacionamento rotativo no centro da cidade. Já está faltando há muito tempo isso, porque tem gente que trabalha na loja e o seu carro fica estacionado o dia inteiro ali. ? (M) ?Eu acho que tudo isso aí é uma falta de conhecimento por parte das pessoas e ou até do poder público de insistir numa situação que já esgotou. Também uma campanha de conscientização em que se possa juntar gente o suficiente.? (M) ?Tem uma coisa que eu sempre digo, aqui em Veranópolis, essa mudança de diminuir carro não vai diminuir nunca, vai aumentar. Tem que cobrar, cobrar. Ah, vão gritar. Como que não gritam em Caxias, não gritam em Bento, não gritam em Garibaldi, não gritam em Porto Alegre. Gritam no primeiro mês. Cobrem e esse dinheiro canalizem para a creche, pra APAE, pra entidades de necessidades... porque isso aí não vai mudar.? (H) "Não tem lugar para estacionar, o centro deveria ter um estacionamento rotativo." (M) Estacionamento rotativo Em relação ao item que versa sobre a educação dos motoristas, a maioria avalia de forma positiva. Também foi elogiada a iniciativa de criar vagas exclusivas para motos. ?A maioria (dos motoristas) para (nas faixas de segurança), e Educação dos motoristas 32 como é bom... A gente se sente tão importante.? (H) ?Uma coisa legal que fizerem foi a vaga para motos. Antes, as motocicletas ocupavam a vaga dos carros.? (M) São colocadas algumas questões sobre cruzamentos perigosos em função da velocidade dos carros na rodovia federal BR 470 e da falta de visão na cidade por causa de árvores, caminhões estacionados ou containers de lixo. Além disso, também, foi colocado como fator de perigo a travessia da BR para acesso a alguns bairros e o trânsito de ciclistas. ?Quem vem da Alfredo Chaves para acessar a Av. Osvaldo Aranha (Arco Sul) tem que ir no meu da rua para ver se vem alguém... Sinceramente, eu tenho medo.? (H) ?A pior coisa de Veranópolis é o asfalto no meio da cidade, porque para a gente que sai, por exemplo, eu quero ir no Medianeira, chove, vou levar a moça que trabalha na minha casa lá na Vila Militar onde ela mora, para eu atravessar aquele asfalto, Meu Deus, não tem sinalização, não tem sinaleira, não tem nada e são quatro acessos de carro na mesma via. Eu acho que deveriam fazer passarela, sei lá eu.? (M) ?Não conseguiriam educar o motorista, ali são caminhões que vem, é uma lomba, então é muito perigoso. Porque quando tinham as lombadas, a gente conseguia melhor atravessar porque, eles tinham que reduzir a velocidade, agora não tem mais, então ficou maravilhoso para eles, só vão começar a frear na frente do campo do Veranópolis. Lá em cima na lombada da maçã, na Casa Sareta, tiraram agora (lombada eletrônica). Tem que colocar de volta. Um controle eletrônico, com multa e tudo que tem direito.? (M) ?Eu acharia onde tem mais reta colocar uma lombada. Outro dia a minha filha estava saindo de casa (Lajeadinho), na frente, e de repente apareceu um, acho que ele andava a 200km/h e daí pegou ela e ainda ela foi culpada, jogou ela longe, terminou os dois carros. Ela se salvou acho que por um milagre.... Eu acho que deveriam colocar uma lombada (controlador de velocidade) ou uma faixa tipo quebra-molas.? (M) "Tiraram as lombadas eletrônicas do asfalto e não colocaram mais depois da federalização." (M) "Virou uma pista de corrida, se tem um idoso que queira atravessar, é impossível." (M) ?Aqui na Osvaldo Aranha está faltando pedaços da faixa de segurança. Na esquina do Banrisul também falta pedaços.? (H) ?A gente tem que ir no meio da rua (devido às árvores), para ver se está vindo carro.? (M) ?Na Av. Osvaldo Aranha, quem chega antes do Supermercado Dia, quem for fazer o retorno não enxerga quem vem. Ali também Cruzamentos perigosos 33 é perigoso, ali são os containers de lixo (devido aos containers de lixo que ficam nos canteiros centrais).? (H) ?Tem carros (veículos) muito grandes estacionados (próximos aos cruzamentos) e que tiram nossa visão.? (M) ?E os ciclistas, eles não obedecem as regras e isso seria uma coisa muito importante de se fazer na cidade, porque eles entram da praça para cima da faixa de segurança em cima da bicicleta e dando aquele salto para cair no meio da faixa. Não pode andar em faixa de segurança em cima de uma bicicleta, tem que levar a bicicleta na mão.? (M) O serviço de táxi de modo geral foi bem avaliado. Entretanto, alguns aspectos como os valores da tarifa e a existência do serviço durante a noite e madrugada merecem melhorias. ?O problema que eles não trabalham até tarde.? (H) ?Às vezes tu paga dez reais, às vezes vinte reais pelo mesmo trajeto. O preço não é tabelado.? (M) "Minha tia precisou chamar um táxi e era perto da meia noite, mas ninguém atendeu." (M) ?Tem horários que nem com reza tu consegues um taxista. Tem um taxista aí que colocou 24h, ele colocou o número do telefone que ele atende, é só chamar. Mas em festas, ou até 10:30h ou 11h da noite, onde tem gente circulando... poderia ter, não todos, mas poderiam fazer um rodízio, ficar um ou outro. Isso aí já se tornou uma tradição que fora de hora tu não consegue. Mas eles estão perdendo, quando tem eventos no Clube (Soal) deixar um lugar para os taxistas, e já divulgar, para o taxista levar a pessoa para casa, ou buscar também. Eu não ligo, venho de carro e não deixo de beber... cerveja, vinho. No Festival do Whisky disseram que ia ter, uma coisa já programada. Eles estão perdendo a oportunidade de faturar uma pouco mais.? (H) Serviço de táxi Por fim, ainda alguns entrevistados falam sobre o quanto o estado das ruas atrapalham o bom funcionamento do trânsito de modo geral. ?Na subida do hospital com aquela rua que vem do asfalto, normalmente, tem pedras altas ali e é bem perigoso porque o carro tem que entrar naquela rua com uma certa velocidade reduzida senão ele engasga e aquelas pedras atrapalham... A cidade está muito em obras... por causa dos alagamentos, perto do Regina (escola Regina Coeli) tem crateras, lá onde desce pro cemitério pra acessar a Osvaldo Aranha tem crateras, a gente tá com bastante buracos por retirada de pedras, a entrada da cidade também, tu dá pulos.? (M) Estado precário das ruas como empecilho no trânsito Resumo Em relação ao transporte, observou-se tanto através da pesquisa quantitativa, como através da qualitativa que a maioria dos participantes não utiliza transporte público, mostrando desconhecimento acerca do funcionamento do mesmo. 34 Quando aprofundada esta questão, constatou-se que os motivos pelos quais eles não utilizam são: possuem carro próprio, moram perto dos lugares que frequentam, conseguem carona com outras pessoas, valor da tarifa ou ainda porque no bairro em que residem não existe este serviço. Dos que utilizam, houve bastante controvérsia entre as duas modalidades de pesquisa. Enquanto que na quantitativa o transporte público foi de modo geral bem avaliado, quando aprofundado na qualitativa apareceram queixas em relação à falta de acessibilidade para o idoso e deficiente físico; e paradas de ônibus sem proteção contra sol e chuva. Em contrapartida, avaliaram de forma positiva a localização das paradas de ônibus, a sinalização das rotas e a educação dos motoristas, resultados que corroboram com a pe squisa quantitativa. Algo bastante evidente foram as recorrentes queixas em relação à falta de estacionamento e falta de fiscalização da vaga do idoso. O serviço de táxi, de modo geral, foi bem avaliado em ambas as pesquisas, mas houve queixas em relação à falta de padronização da tarifa e a ausência do serviço durante a noite e madrugada. Moradia Quantitativo ? Na avaliação sobre os custos de moradia serem acessíveis, incluindo taxas condomínio, gás e eletricidade, as opiniões quanto à qualificação são semelhantes: 36,2% ?bom?, 31,9% ?fraco? e 31,0% ?razoável?. ? Considerando se existem serviços de apoio à manutenção e reparo da casa, 46,1% dos idosos responderam como ?fraco?, 34,3% ?bom?, 14,0% ?razoável? e 5,7% não souberam responder. ? Quando os idosos foram indagados para a questão ?Posso me movimentar pela minha casa sem dificuldades?, 96,1% acham que sim sem dificuldades, 3,2% responderam ?razoável? e 0,7% tem dificuldades. ? Aos idosos foi solicitado para quantificarem como consideram seus próprios cuidados de prevenção de riscos em suas moradias, sendo que 86,8% consideram ?bom?, 10,9% ?razoável? e, apenas, 2,3% acham que não se previnem de riscos, ou seja, julgam como ?fraco?. ? Para a questão sobre se existe proteção contra roubos e assaltos na residência do idoso, 43,5% responderam que a proteção é boa, 28,2% acreditam que a proteção é fraca e 28,0% acha razoável. ? Quando os idosos foram questionados quanto à proximidade da sua residência de serviços, de pessoas que visita e de transporte, 66,0% responderam ?bom?, 25,0% ?razoável? e 8,7% ?fraco?. ? Quando os idosos foram indagados para a questão ?Posso me movimentar nos arredores de minha casa com facilidade?, 92,7% acham que sim com facilidade, 3,8% responderam ?razoável? e 3,2% julgam que não. 35 Figura 22 - Gráfico de frequências das respostas aos aspectos do tema moradia A temática moradia apresentou diferentes aspectos associados às quatro hipóteses de pesquisa. Para as hipóteses 1 e 2 sobre o fator idade, os aspectos relacionados à facilidade ou dificuldade de locomoção, dentro e nos arredores das moradias, foram determinados pela idade. Assim, para o aspecto sobre se o idoso considera que pode se movimentar pela sua casa sem dificuldade, a opinião ?bom? foi inversamente associada com o aumento da idade (p=0,001). E as respostas ?razoável? e ?fraco? foram diretamente associadas. Porém, a frequência de respostas positivas foi bastante alta nas três faixas etárias: 97,8% em idosos jovens; 96,0% idosos com idades entre 70 e 79 anos e 90,7% em idosos longevos. O sétimo aspecto (Posso me movimentar nos arredores de minha casa com facilidade) apresentou associação similar ao anterior descrito, porém, com força maior (p<0,001). A frequência de respostas positivas mostrou-se da seguinte forma nos três grupos etários: 94,7% em idosos jovens; 93,8% idosos com 70 a 79 anos e 84,3% em idosos longevos. A frequência da resposta ?fraco? foi 9,3% no grupo longevo. Estes resultados podem indicar que a dificuldade observada de deslocamento do idoso nos arredores de sua moradia seja decorrente do próprio envelhecimento e que as moradias não estão sendo adaptadas para garantir esta mobilidade. Para a hipótese 3, outros dois aspectos foram associados ao fator renda: (1) há proteção contra roubos e assaltos e (2) moro perto de serviços, de pessoas que visito e de transporte. No primeiro aspecto citado, 38,5% dos idosos com renda até dois SM responderam ?bom?, 45,7% dos com renda intermediária e 68,7% com renda superior a cinco SM, todos diferente estatisticamente entre si (p<0,001). A percepção mais negativa (qualidade fraco), também, foi associada com o poder aquisitivo do idoso. Para o aspecto sobre a proximidade de serviços, pessoas e transporte, a diferença ocorreu nas percepções dos indivíduos com menor renda (58,8% responderam ?bom?) comparados aos de renda superior a dois SM (76,2% e 83,1%, respectivamente). Para a quarta hipótese os aspectos relativos aos custos de moradia e a existência de proteção contra roubos e assaltos mostraram-se associados à percepção da saúde. Os idosos que avaliaram a própria saúde como ?regular? ou ?ruim? consideraram seus custos de moradia mais onerosos (p=0,004) e a proteção contra roubos e assaltos menor (p<0,001) que aqueles que avaliaram a própria saúde como ?boa? ou ?excelente? e ?muito boa?. Ainda no tema moradia, o aspecto sobre se o idoso considera que mora perto de serviços, de pessoas que visita e de transporte, mostrou-se associado a própria percepção de saúde (p<0,001). Uma maior frequência de idosos que consideram a sua saúde ?excelente? ou ?muito boa? (77,6%) e 36 ?boa? (68,6%) classificaram o aspecto como ?bom? em comparação com aqueles que percebem a própria saúde como ?regular? ou ?ruim? (58,4%). Da mesma forma, as respostas ?razoável? e ?fraco? foram diretamente associadas à pior percepção da saúde. Com relação ao aspecto sobre se os idosos conseguem se movimentar nos arredores de suas casas com facilidade, uma frequência maior daqueles que percebem a própria saúde melhor (95,8% e 95,4%) avaliou esse aspecto como ?bom? comparada com aqueles que avaliaram sua saúde como ?regular? ou ?ruim? (88,6%) (p=0,016). Qualitativo Em relação à moradia, os participantes, primeiramente, destacaram que, em geral, se vive bem em Veranópolis. Mencionaram ser agradável morar na cidade, principalmente, porque tudo é perto e porque as pessoas são acolhedoras. "O básico dos serviços também é oferecido. Tu não precisa se deslocar para um centro maior, Veranópolis tem uma estrutura de serviços que o básico a gente tem." (M) ?Não tem muito luxo, mas dá para viver bem.? (H) Avaliam de forma positiva o fato de viverem aqui O fato de ter vizinhos que cuidam é muito valorizado entre os idosos. A grande maioria refere ter um bom vínculo com os vizinhos e que esse apoio inclusive transmite um sentimento de segurança. "A gente se cuida, se ela não abre a janela, já fico preocupada e ela a mesma coisa, quando a gente viaja a gente se avisa." (M) "Eu, com minha vizinha, também, me dou super bem, outro dia tava visitando meus parentes e ela me ligou: ?onde tu tá que não te vi mais?!? Tô passeando! Ah, então tá bom." (M) ?Eu me sinto bem. Por que aqui com os meus vizinhos a gente se dá. Eu pelo menos desde que vim para cá as pessoas gostam de vim me visitar, no Natal enche de gente, eu faço árvore de Natal sabe, vem criançada, eu faço docinhos para as crianças, presentinho para as crianças.? (M) Apoio por parte dos vizinhos Três aspectos foram discutidos em bastante profundidade: a segurança contra assaltos; o custo da moradia e a adaptação das casas e prédios. Em relação à segurança, os participantes sentem um aumento de assaltos e roubos e uma falta de policiamento e aplicação da lei para diminuir estes casos. "Ninguém se sente seguro nos dias de hoje." (M) "Quando estou em casa sozinha tranco todas as portas." (M) "A insegurança... as casas do interior da nossa comunidade lá não são cercadas, ninguém tem alarme, só os sítios são cercados... Eu saio deixo a porta aberta da minha casa, pelo menos é um estrago a menos." (M) "A polícia até pega, mas fica meia hora com ele e depois Aumento de assaltos e roubos 37 manda embora." (M) ?As leis têm muita brecha." (M) "A gente sabe que tem um rapaz aqui que rouba, já deu até o nome dele na rádio, a gente sabe que pegam ele e em seguida soltam e ele começa tudo de novo. Infelizmente tá assim." (M) Mesmo casas protegidas com cercas, alarme ou muro alto não parecem estar protegidas contra assaltos. Além disso, eles reportam muita preocupação com usuários de drogas que ocupam espaços públicos. "Morar é o paraíso, mas a violência também... Já começou também, o roubo... é sempre o mesmo.? (M) "Já entraram um monte de vezes lá em casa. Sempre durante a noite, e a casa tem cerca e alarme." (M) ?Lá em casa tem muro alto, mas eles roubam mesmo assim.? (M) Além de mais policiamento, foi sugerido a instalação de pontos para pedir socorro: "Se tivesse um ponto de apoio para pedir socorro." (M) O que diz respeito ao custo da manutenção da moradia, muitos idosos se queixaram que a soma de todas as despesas mensais, incluindo os impostos e a luz, estão subindo. Para quem tem que arcar com despesas médicas estes custos com moradia se tornam ainda mais penosos. Esta dificuldade também é influenciada pelo fato da renda do idoso normalmente ser pequena. "Acho que os impostos estão altos... Estão tirando o pão da mesa..." (H) ?Na entrada desse ano tudo subiu demais. Foi um exagero: gasolina, água, luz, gás." (H) "Qualquer modificação que você faz na casa aumenta IPTU." (H) "O custo de vida é muito caro. Gasta na comida e depois faz falta no resto." (M) "O que o idoso ganha é pouco para cobrir os custos." (M) Enquanto algumas pessoas dizem que o custo da moradia é viável, porque foi adequado à própria situação financeira ou porque não precisa pagar aluguel, outros dizem que precisam dividir as despesas com outros familiares. A ajuda financeira dos filhos também foi identificada como essencial por alguns participantes para poder se manter na própria casa. ?Eu não acho que seja alto, no momento que tu diz assim: eu vou pagar IPTU da minha casa. Eu moro na minha casa, a gente usa e a gente tem um valor relativamente bom com a casa. Não acho que essas taxas sejam altas.? (M) Custo alto de despesas como impostos, luz, água, remédios e alimentação Divisão de gastos com outras pessoas da família 38 "É difícil dar conta, gasto R$300,00 de remédio por mês, ganho R$600,00. Ainda bem que meu cunhado mora junto porque daí não cobro aluguel, mas em troca ele paga luz, água." (H) "Para nós é fácil por causa da ajuda dos filhos." (M) "Se fosse nós dois sozinhos, não seria fácil. Temos ajuda dos filhos.? (M) Em relação ao apoio dos filhos, foi relatado que a questão da ajuda com atividades domésticas ou pessoais do idoso é dificultada quando os filhos trabalham. Sugerem ?centros-dia? para o idoso ficar durante o dia e apoio para contratar cuidadores domiciliares. ?É... era para morar com os filhos, mas todos trabalham e eu não posso ficar sozinho. (...) Eu gostaria de morar em casa. As filhas todas trabalham, as noras também... O meu capital agora é uma cadela. A casa eu dei para um filho...? (H, morador do Lar) ?...o filho gostaria de trabalhar fora, porém tem que permanecer ali naquele local para ajudar o pai e a mãe. Porque o município não proporciona isso." (M) Necessidade dos centros dia Algumas pessoas reportaram já ter feito adaptações em casa para adequá-la a novas necessidades. A adaptação mais comum entre os participantes é a instalação de barras ou corrimão no banheiro. Outros retiraram tapetes ou colocaram fitas antiaderentes. "A gente colocou barra no banheiro, tem que ter." (M) "Na minha casa a gente, graças a Deus, conseguiu colocar a barra no banheiro." (M) ?Corrimão no banheiro eu já tenho.? (M) ?Tenho toda casa adaptada com corrimão. Fui ajeitando sozinho.? (H) ?Já tirei todos os tapetes.? (M) "Eu tenho tapetes na frente da pia e no banheiro, tenho que colocar aqueles antiaderentes." (M) Adaptações básicas para prevenir quedas As escadas dentro das casas são reconhecidas como a maior barreira e motivo para mudança para outra casa, ou o térreo, no caso de dificuldades de locomoção. "Na minha casa, a única coisa que não foi pensada quando a gente ficasse velho são as escadas, se um dia não puder mais subir, vou ter que vir morar num apartamento." (M) "Eu teria que me mudar ou adaptar a casa, porque minha casa tem muita escada." (M) ?No meu caso a escadinha (tipo caracol)... tenho que me pendurar às vezes. ? (H) ?[Teria que] morar no andar térreo, quando não puder mais Escadas são o maior obstáculo dentro de casa 39 acessar o andar superior.? (M) Para conseguir se manter na própria casa, mesmo quando tiver limitações funcionais, sugeriu-se oferecer apoio para adaptar as moradias. "Acho que deveria ter algum tipo de ajuda para adaptar nossas casas." (M) Em relação aos prédios, os idosos se queixaram da falta de espaços para convivência e espaços verdes. "Os prédios em Veranópolis não são adaptados para os idosos, não tem áreas verdes, espaços de convivência, eles só querem ganhar dinheiro." (M) ?Os prédios não têm área em comum para as pessoas tomarem um chimarrão, área verde, muitos prédios e não tem para onde ir.? (H) ?A maioria já tá na calçada, não tem uma grama, nada na frente.? (M) "No prédio que eu moro teria um espaço grande para fazer, mas acabaram não fazendo. Ia ter banco, jardim, etc." (M) "Aqui sempre tem que ter lojas embaixo dos prédios, para ganharem dinheiro, ninguém pensa numa área verde de convivência." (M) Como solução, os participantes sugeriram uma ação com as construtoras para sensibilizá-las sobre as necessidades da população. ?Fazer um trabalho com os construtores para terem visão da necessidade daqui uns 20 anos e não visando hoje só.? (M) Falta de espaços de convivência nos prédios Moradores do interior do município identificaram alguns outros problemas relacionados à moradia, como o fornecimento de energia, internet e o acesso a serviços de saúde, além da precariedade com o saneamento básico. ?(...) não temos internet, não temos telefone, não temos energia elétrica... a gente tem, mais de uma forma bem precária. Por exemplo, assim... na minha família a gente quis potencializar a energia elétrica, nós tivemos que comprar um transformador, tivemos que botar iluminação, sabe? Tivemos que comprar a torre para botar internet..." (M) ?... se nós formos ver a questão do idoso, nós não temos um programa de saúde da família no interior, nós temos idosos acamados, não tem assistência social, tem que penar para conseguir qualquer coisa...? (M) ?O lado ruim que tem, que falta ainda na moradia é saneamento básico, que é uma coisa que tem que ser resolvido para o futuro..." (M) "Veranópolis não foi uma cidade bem projetada, olha na Palugana a questão do esgoto, sempre [fica] alagado quando Situação ruim em algumas áreas rurais 40 chove." (H) Resumo No aspecto da ?moradia?, os resultados da pesquisa qualitativa se alinham com os resultados quantitativos. Em ambas as partes da pesquisa, os mesmos aspectos foram avaliados como pontos negativos: o aumento de roubos e assaltos, o alto custo de manutenção da casa e a falta de apoio na manutenção. A pesquisa qualitativa permitiu aprofundar estes assuntos, especificamente a falta de apoio. Seria necessário adequar a casa a mudanças na capacidade funcional dos idosos e assim evitar quedas e para aliviar os filhos. Como pontos positivos se destacam a proximidade das moradias a serviços e lojas e o apoio existente na vizinhança. Em termos de melhorias, foi sugerido uma maior atenção aos moradores de áreas rurais e melhorias nas áreas comuns de prédios, para que estes espaços podem se tornar efetivamente locais de convívio entre os moradores. Oportunidades para Participação Quantitativo ? Quanto à qualificação do contato com a família e amigos, a grande maioria (96,4%) dos entrevistados responderam ?bom? e apenas 2,8% ?razoável? e 0,8% ?fraco?. ? Quanto às oportunidades para participar de atividades sociais e recreativas, 72,3% dos idosos responderam que tem boas oportunidades, 14,0% acreditam que são razoáveis e 12,6% julgam que são poucas as oportunidades. ? Quanto às oportunidades para participar de atividades culturais, 45,8% responderam que tem boas oportunidades, 30,1% acham fracas e 22,2% razoáveis. ? Quanto ao questionamento se existe atividades com outras gerações, 54,2% responderam ?bom?, 22,1% ?razoável? e 19,3% ?fraco?. ? Em relação à existência de oportunidades para atividade física, 54,6% relataram que são boas, 22,5% acham fracas as oportunidades e 20,6% razoáveis. ? Ao questionamento se existe oportunidades de trabalho remunerado, 46,8% dos idosos responderam que sim, 34,1% acreditam que são fracas as oportunidades, 13,5% razoáveis e 5,6% não souberam responder. ? Com relação às oportunidades para trabalho voluntário, 77,4% dos entrevistados responderam que existem boas oportunidades, 11,7% acham fracas e 6,8% razoáveis. ? Ao serem indagados se há oportunidades para participar ativamente como cidadão, 71,5% dos idosos responderam que tem boas oportunidades, 14,2% julgam razoáveis e 10,6% fracas. 41 Figura 23 - Gráfico de frequências das respostas aos aspectos do tema participação A temática participação apresentou o maior número de associações entre seus aspectos e as hipóteses testadas. As percepções dos idosos sobre as formas de participação foram influenciadas tanto por suas idades (Hipóteses 1 e 2), quanto pelas suas condições de renda (Hipótese 3) ou saúde (Hipótese 4). Para o fator idade, dos oito aspectos que contemplam o tema participação, seis foram associados e corroboraram com as hipóteses formuladas. (1) Tenho contato com minha família e com amigos. A opinião ?bom? foi inversamente associada com o aumento da idade (p=0,013). E as respostas ?razoável? e ?fraco? foram diretamente associadas. Porém, a frequência de respostas positivas foi bastante alta nas três faixas etárias: 97,8% em idosos jovens; 96,7% idosos com idades entre 70 e 79 anos e 91,4% em idosos longevos. (2) Posso participar de atividades sociais e recreativas. A frequência de respostas positivas foi inversamente relacionada ao aumento da idade (p<0,001): 77,8% nos idosos jovens; 72,5% idosos com 70 a 79 anos e 54,3% nos idosos longevos. A frequência de respostas ?razoável? e ?fraco? foi diretamente associada à idade e igualmente dividida dentro do grupo etário. (3) Posso participar de atividades culturais. Novamente, um aspecto fortemente associado com a idade (p<0,001), porém, com percepções positivas mais modestas: 52,1% em idosos jovens; 40,7% em idosos com 70 a 79 anos e 35,7% em idosos longevos. A frequência de respostas negativas mostrou-se assim: 23,9% em idosos jovens; 37,4% em idosos dos 70 aos 79 anos e 35,7% em idosos longevos. Estes resultados podem indicar a oferta, ainda, limitada de atividades culturais para idosos, assim como, opções pouco adaptadas às necessidades de idosos mais longevos. (4) Há oportunidades de trabalho remunerado. Aspecto, novamente e fortemente (p<0,001), associado à idade. A frequência de respostas positivas foi inversamente 42 relacionada ao aumento da idade: 59,2% nos idosos jovens; 38,1% idosos com 70 a 79 anos e 23,6% nos idosos longevos. A frequência de respostas ?razoável? e ?fraco? foi diretamente associada à idade, com os seguintes percentuais para a avaliação mais negativa: 22,6% nos idosos jovens; 45,8% idosos com 70 a 79 anos e 48,6% nos idosos longevos. Estes resultados expõem a falta de oportunidades no mercado de trabalho para pessoas idosas, agravada a cada aumento de década de vida. (5) Há oportunidades para trabalho voluntário. Este aspecto mostrou-se associado com a idade (p<0,001) e de forma análoga ao anterior, porém, com percepções positivas mais expressivas: 84,9% para os idosos jovens; 75,1% para os idosos com 70 a 79 anos e 57,9% para os idosos longevos. (6) Há oportunidades para participar ativamente como cidadão. A frequência das percepções positivas diminui com o avançar da idade (p<0,001): 76,5% em idosos jovens; 71,8% em idosos com 70 a 79 anos e atingem 55,0% em idosos longevos. A frequência das percepções negativas para este aspecto aumenta com a idade: 7,3% idosos jovens; 12,1% idosos dos 70 aos 79 anos e 18,6% idosos com 80 anos ou mais. Para a terceira hipótese, quatro aspectos do tema participação foram associados ao fator renda individual do idoso: (1) posso participar de atividades sociais e recreativas; (2) há oportunidades para atividade física; (3) há oportunidades de trabalho remunerado e (4) há oportunidades para trabalho voluntário. Em todos os aspectos as percepções positivas foram diretamente associadas ao maior poder aquisitivo, ou seja, quanto maior a renda do idoso melhor a sua percepção sobre as oportunidades de participação na comunidade. O inverso também é verdadeiro, ou seja, quanto menor o poder aquisitivo do idoso mais negativa sua percepção sobre as oportunidades de participação. Nos demais quatro aspectos do tema não houve associação. Para a quarta hipótese, seis aspectos apresentaram-se associados as percepções de saúde dos idosos: (1) tenho contato com minha família e com amigos; (2) posso participar de atividades culturais; (3) há oportunidades para atividade física; (4) há oportunidades de trabalho remunerado; (5) há oportunidades para trabalho voluntário e (6) há oportunidades para participar ativamente como cidadão. Nos aspectos 2 ao 5, acima citados, as principais diferenças foram observadas nas frequências das respostas ?bom? e ?fraco? dos idosos que percebem a própria saúde de forma mais positiva (excelente, muito boa, boa) comparados àqueles que consideram ?regular? ou ?ruim? (p<0,001). No primeiro aspecto do tema participação, a diferença ocorreu somente entre os idosos que avaliaram a própria saúde como ?boa? daqueles que consideraram ?regular? ou ?ruim? (p=0,008). No último aspecto, os idosos com as percepções da própria saúde mais positivas (excelente, muito boa, boa) também avaliaram o aspecto de forma mais positiva que aqueles com a percepção de saúde ?regular? ou ?ruim? (p=0,010). Qualitativo Neste tema foram abordadas as oportunidades para participação social, cívica, cultural, política, espiritual e econômica. Em geral, as pessoas que participaram dos Fóruns Públicos e grupos focais relataram ter uma vida bastante ocupada. ?Cada dia tem mais coisa, às vezes não dá tempo para fazer tudo.? (M) Vida ativa 43 ?Eu não sobro tempo, cada dia tem uma atividade.? (H) ?A gente joga carta, faz jantas, trabalho voluntário...? (M) Um aspecto importante é o reconhecimento da importância da participação para o bem-estar das pessoas. ?O relacionamento e a facilidade que nós temos nos encontros das festas comunitárias... Estes relacionamentos são importantes para a autoestima.? (H) Já as pessoas que foram entrevistadas em domicílio reportaram não saírem muito de casa e preferirem receber visitas em casa. Algumas disseram que diminuíram a sua participação por causa da idade mais avançada. ?Depois de certa idade, não se tem mais vontade de sair.? (M) "Agora tô cansada, tô bem tranquila, não faço mais nada. Uma vez eu gostava de fazer meus trabalhos manuais, crochê, cestinhas, sacolinhas.? (M) Dificuldades de participação dos mais idosos Outro assunto que surgiu durante as discussões sobre oportunidades de participação é o isolamento e a dependência de outras pessoas para participar de alguma atividade. ?Eu tinha um casamento último sábado, mas não tinha uma companheira para me acompanhar.? (M) ?Eu até que sim, gostaria de ir, mas sabe como é... digamos que sim, mas não me faz tanta falta.? (M) ?Mas eu já tô com 72 anos e com depressão, acho que não daria nada para mim. Não tenho vontade de fazer nada.? (M) ?Tenho saudades de andar na rua, caminhar no sol, parece que o corpo chama para ir e não dá, eu caio no chão. Me falta força nos joelhos. Eu poderia caminhar aqui na pracinha (Bairro Medianeira), convidar uma amiga, mas não dá. Fui mais de 10 anos no grupo da longevidade, mas agora faz tempo que não vou, depois que morreu meu marido não fui mais. Me parece que o mundo não é o mesmo, uma coisa é quando a gente tem saúde e consegue caminhar.? (M) Isolamento e dependência de outras pessoas Pessoas que moram sozinhas reconheceram que isolamento e solidão é uma questão importante para elas. Valorizam muito as visitas recebidas em casa e, na ausência de visitas, dizem que não teriam contato com pessoas se não saíssem, por exemplo, para encontros de grupos de mães, missas ou para caminhar. ?Gosto muito de visitas, mas são poucas as visitas.? (M) ?Saio muito pouco normalmente eles vêm me visitar, eu falo por telefone.? (M) ?Tenho um grupo que é o Vera Amizade que se reúne há muitos anos e a cada quinze dias, é um diferente que organiza. Às vezes vou na missa com minhas amigas e depois vamos tomar um chá. Também participo do grupo de mães, não é Visitas recebidas em casa são muito valorizadas 44 grande coisa, mas uma vez por mês tem um chá. Quando me convidam eu vou, porque eu moro sozinha, se eu não saio, não vejo gente.? (M) ?Se me sinto sozinha eu saio fora e vou caminhar.? (M) Em relação às atividades sociais, os participantes mencionaram participar em palestras, jogar cartas e visitar amigos e familiares. ?Tem bastante palestra.? (H) ?Jogo carta o dia todo.? (M) ?A gente joga carta, faz jantas, trabalho voluntário.? (M) ?Visito um amigo, se faz uma janta.? (H) ?Muitas opções de atividades de recreação e atividades culturais: jantares, passeios, pesca.? (H) ?Eu tenho meu marido que não gosta muito de sair, mas de vez em quando a gente vai, vamos em encontro de família, encontrar as pessoas.? (M) Variedade de atividades O trabalho voluntário é uma opção válida de participação para várias pessoas. Algumas participam da Pastoral do Idoso, outros visitam doentes no hospital ou se engajam nas igrejas e na organização de festas da comunidade. ?(...) com a Pastoral do Idoso, faço visitas todos os dias.? (M) ?Eu visito os doentes no hospital.? (H) ?Eu faço a liturgia na missa.? (M) ?Nas festas ajudando as pessoas.? (M) Um aspecto levantado em relação ao trabalho voluntário foi a comunicação sobre estas oportunidades. ?Quando eu ouço, eu sempre vou!? (M) ?Deve estar cheio de gente com disposição e vontade e não são lembrados, não são convidados.? (M) Oportunidades para trabalho voluntário Também foi reconhecido o impacto do trabalho voluntário, inclusive no lar dos idosos. ?Eles (os doentes) ficam alegres e contentes quando vêem a gente.? (M) ?Vem o pessoal aqui, vem o CTG, vem um senhor com a gaita, eles cantam, dançam, tem diversão aqui.? (M) ?Para se divertir nada, quando eu vim para cá (Lar São Francisco) tinha o grupo do CTG que dançava, cantava, era bonito de ver, mas depois não veio mais. De vez em quando vinha criança, mulheres, a gente conversava, mas agora não tem vindo mais. Bem difícil de vir gente aqui.? (M) Um idoso sugeriu um serviço voluntário no qual os idosos podem ajudar aos imigrantes. 45 ?Poderiam ser criados grupos de voluntários de idosos para ajudar tanto os imigrantes quanto outras situações. O idoso poderia contribuir na ajuda às outras pessoas.? (M) Em termos de participação social, ainda, constatam que poderia ter mais oportunidades, como, por exemplo, um centro específico para pessoas idosas. Sentem falta de um local para se encontrar e realizarem atividades variadas. ?Nós nos encontraríamos todo mundo lá [em um centro], você vai lá, joga uma carta, faz uma ginástica, vai lá para medir a pressão.? (H) ?O centro da longevidade faz anos que devia ter sido feito, mas até agora nada.? (M) ?Não tem praça, não tem parque, não tem um local para a gente se encontrar.? (M) ?Poderia ter mais, nunca é demais.? (M) ?Teria que ter uma sala disponível para as mulheres, para elas conversarem, jogar conversa fora jogar uma carta.? (M) ?Poderia ser feito uma associação para os idosos poderem se encontrar.? (M) ?Para quem não vai mais no baile, poderia ter outras opções.? (M) ?Eu gostaria de curso de dança.? (M) ?Curso de geração de renda.? (M) ?Um curso de línguas, música, algum instrumento musical.? (M) ?Curso de culinárias voltado para comidas integrais.? (M) Foi reconhecido que as oportunidades para moradores das áreas rurais são escassas e que seria necessária a oferta de mais atividades ou transporte para eles participarem das atividades no Centro. ?Esses outros grupos e oportunidades para o idoso que o município oferece, o idoso do interior não tem.? (M) ?Para esse pessoal do interior, que tem mais dificuldade, que existisse transporte exatamente nesse dia para eles poderem participar.? (M) ?Poderiam levar um cinema itinerante para as comunidades do interior para ter lazer? Não poderia ter alguma coisa lá?? (M) Enquanto a falta de interesse foi mencionada por algumas pessoas, outros disseram que, por exemplo, os bailes são caros e outras atividades, como o coral, não são suficientemente abertos para novos participantes. ?Alguns participam, outros não gostam.? (H) ?É caro para ir nos bailes.? (M) ?Tem curso de artesanato, de espanhol, mas são todos caros.? Demanda para mais atividades específicas para o idoso Demanda de atividades nas áreas rurais Barreiras para participação social 46 (M) ?Eu acho que tem uma coisa, quando se formam grupos aqui, eles se fecham, não é aberto para outras pessoas. Dou um exemplo, o coral, formaram aquele coral e ninguém mais podia entrar, aí sabe o que acontece! As pessoas vão morrendo e o grupo morre, vi muito isso aqui.? (M) Em relação a oportunidades de participação cultural, foi constatado que há poucas opções, inclusive por falta de um espaço para realizá-las. ?Em Nova Prata todo dia tem alguma atividade, aqui não tem.? (M) ?Vila Flores tem um anfiteatro, aqui não tem.? (H) ?A Casa da Cultura tá condenada, tem que sofrer uma reforma muito grande.? (M) ?Não tem muitas opções. Falta espaço para realizar estas atividades. Um dos únicos lugares (Femaçã) que tem para realizar é muito longe.? (M) "Tem muito pouco. Acho que não tem muita coisa. Não tem espaço também.? (M) Poucas oportunidades de participação cultural Quando perguntados sobre oportunidades para atividade física, as academias da terceira idade nas praças foram indicadas como bom local para se exercitar, como também o Recanto Medianeira para fazer caminhadas. ?Temos a academia na praça.? (M) ?Quem tem interesse procura. Lá no Medianeira (Recanto Medianeira) é um lugar maravilhoso, só tem o problema de cruzar a rua (rodovia BR 470).? (M) ?Temos as academias ao ar livre, quem quiser tá lá e é uma boa.? (M) Entretanto, foram identificadas algumas barreiras para fazer atividades físicas, como o custo, a idade (ou seja, limitações funcionais) e preferência para outras atividades ou falta de vontade. ?O custo nas academias é alto.? (M) ?A idade avançada [me] impede de fazer exercícios.? (M) ?Tem sempre a amiga que diz: vamos jogar bisca! Vamos jogar carta! Daí a gente deixa de fazer [atividade física].? (M) ?Há bastante oportunidade para atividade física. As academias nas praças. O que falta é vontade.? (H) Ainda em relação a atividades físicas, os participantes fizeram várias sugestões em como aumentar as oportunidades de combater o sedentarismo para a população veranense, como um local para andar de bicicleta e pequenas melhoras na utilização das academias nas praças. Oportunidades de realizar exercícios físicos Obstáculos para atividades físicas Sugestões de melhorias para aumento de oportunidades para atividade 47 ?Seria interessante um lugar para o pessoal andar de bicicleta, sem o perigo de ser atropelado.? (M) ?As pessoas podem ir lá caminhar, se encontrar.? (M) ?Lá o espaço é grande (Parque de Rodeio). Poderia ser construída uma ciclovia ao redor do lago, o pessoal poderia ir passear, fazer um palco para os artistas locais se apresentarem. O espaço tem.? (M) ?É preciso comunicar o horário de atendimento da Academia da Terceira Idade.? (M) ?Deveria ter uma estrutura nas academias ao ar livre para proteger contra sol e chuva.? (H) Os idosos com limitações para saírem de casa relatam fazer caminhadas ou exercícios dentro de casa, por conta própria ou com professor. ?Faço exercícios tudo, tem professor. Às vezes faço por conta própria.? (M) ?Eu caminho dentro de casa.? (M) física Alternativa - atividade física em casa Em relação à participação política, o que foi articulado por alguns é a importância de continuar a votar, mesmo depois da idade obrigatória. ?Eu como bom cidadão não sou obrigado a votar, mas vou votar, porque sempre digo entre os ruins, sempre tem o menos ruim.? (H) Uma senhora explicou porque não vota mais. ?Eu já não voto mais, já passei da idade de votar, mas não vou mais por causa da escada para subir.? (M) Outro assunto que surgiu durante a discussão sobre a participação política é a falta de comprometimento e transparência, como também de lideranças na política. Uma explicação foi que as pessoas preferem não se envolver. ?O que atrapalha é a falta de transparência.? (M) ?Falta líderes, hoje em dia não temos mais lideranças, falta seriedade, comprometimento.? (M) ?As pessoas não se comprometem, não querem se envolver, só que se todo mundo fizer isso a gente não tem como melhorar.? (M) Participação política Barreiras para engajar mais pessoas idosas na participação política Quando perguntados sobre as oportunidades de participar na formulação de políticas públicas as opiniões divergiram. Algumas pessoas reconheceram que as sessões da Câmera de Vereadores estão abertas para a população participar, e que inclusive se sentem ouvidos. Outras pessoas expressaram pouca satisfação com esse mecanismo de participação. ?Pode-se participar das sessões da Câmara de Vereadores.? Oportunidades de participação enquanto cidadão 48 (H) ?Na escola tem oportunidades de participar. Na Câmara de Vereadores somos bem tratados.? (M) ?Na Câmara de Vereadores, na hora que a gente quer falar, eles ouvem. Eles são queridos, tudo gente conhecida.? (M) ?Lá dentro [Prefeitura] não dá para opinar. Eles nem permitem que a gente entre, ainda bem que tem aqui, opinem aqui.? (M) ?Alguns vereadores não dão oportunidade de voz para a população.? (H) ?Poucos convites para participar, raramente.? (M) Uma crítica da própria população é que as pessoas não participam, mesmo tendo oportunidade. ?A Prefeitura faz audiências públicas e ninguém vai.? (M) ?As pessoas estão muito acomodadas.? (M) Algumas dificuldades em relação ao exercício da cidadania Em relação às oportunidades de trabalho remunerado, as opiniões não formaram consenso. Várias pessoas disseram que o idoso continua trabalhando, inclusive porque o salário é justo e porque tem experiência. ?O idoso trabalha mais que o jovem.? (M) ?Se tu precisa de alguém para um serviço, jovem tu não encontra. Eu encontro pessoal para capinar com 60 anos para cima.? (H) ?Tem bastante idoso trabalhando ainda e a remuneração é justa.? (M) ?Eu vejo bastante idoso trabalhando! Pegando no pesado. Trabalhando de pedreiro, fazendo biscate.? (M) ?A pessoa idosa tem mais experiência.? (H) Outras pessoas acreditam que faltam oportunidades para atividades remuneradas, inclusive para jovens. ?Não tem, mas é o ciclo da vida, deixa para os mais jovens.? (H) ?Falta até para os jovens, para os idosos então.? (M) ?Não tem emprego pro jovem, imagina pro idoso.? (H) ?Não tem espaço para o idoso exercer atividade remunerada.? (H) Além de uma falta de oportunidades, identificaram outros problemas para a inserção dos idosos no mercado de trabalho. ?Se tem emprego, o salário é baixo.? (M) ?Não teríamos condições físicas.? (M) ?O mercado não aceita.? (M) O idoso tem necessidade financeira de seguir trabalhando Poucas oportunidades de trabalho remunerado Barreiras para a inserção do idoso no mercado de trabalho 49 Resumo Em relação à participação, itens como o contato com familiares e amigos; participação em atividades sociais, recreativas e culturais; oportunidade de atividade física e oportunidades de trabalho voluntário foram bem avaliadas em ambas as modalidades de pesquisa. Entretanto, quando aprofundado o item que trata de trabalho remunerado e oportunidades de exercer a cidadania, questões avaliadas de forma positiva na quantitativa, teve controvérsias na qualitativa. Ao mesmo tempo em que algumas pessoas falaram que o idoso precisa continuar trabalhando em função do baixo valor da aposentadoria, outras pessoas apontam que não existe espaço para o idoso no mercado de trabalho. O mesmo ocorreu com a questão que aborda oportunidade de exercer cidadania, onde alguns colocam que existe espaço, como por exemplo, nas sessões da Câmara de Vereadores, mas outros não consideram que seja um espaço adequado. Além disso, na pesquisa qualitativa, segundo os participantes, faltam outras atividades voltadas ao público idoso que não seja bailes e jogo de cartas, assim como foi destacado que para a população das comunidades do interior faltam oportunidades de participação. Respeito e Inclusão social Quantitativo ? Quando os idosos foram indagados para a questão ?Sinto que sou uma pessoa valorizada em minha comunidade?, 91,2% acham que sim, 6,9% responderam ?razoável? e 1,2% não se sente valorizada. ? Ao questionamento se os seus direitos são respeitados, 87,3% responderam ?bom?, 9,6% ?razoável? e 2,8% ?fraco?. ? Quanto à percepção do idoso para a questão ?Ninguém é excluído por causa da baixa renda?, 49,2% responderam ?bom?, 24,5% ?razoável? e 22,2% ?fraco?. Um percentual de 4,1% não soube responder. Figura 24 - Gráfico de frequências das respostas aos aspectos do tema respeito & inclusão social Os três aspectos que compõem o tema respeito e inclusão social foram analisados em testes das quatro hipóteses (página 4). Nenhum dos três aspectos corroborou com as hipóteses formuladas, ou seja, as percepções dos idosos para esta temática não foram influenciadas pelas suas idades, poder aquisitivo ou pela qualidade de sua saúde. 50 Qualitativo A maioria dos idosos entrevistados relata, num primeiro momento, sentir-se inserido na comunidade, valorizado e respeitado. ?No mercado, no banco, nas farmácias, a maioria das pessoas nos tratam bem.? (M) Respeito e valorização na comunidade Quando a questão de respeito aos direitos e valorização dos idosos foi abordada nos Fóruns, grupos focais e entrevistas em profundidade, surgiram diversas falas que revelam a existência de preconceito em relação aos idosos por parte dos mais jovens, denunciando conflito e distanciamento entre as gerações. ?Um dia eu estava atravessando a rua e demorei um pouco mais e o rapaz que teve que parar para eu passar, colocou a cabeça para fora e gritou: pega o terço e vai para casa rezar.? (M) "Quantas vezes já cheguei em alguns lugares e fiquei em pé, e tinha muito jovem sentado, eles não oferecem o lugar deles para a gente sentar.? (M) ?Se tu tá indo na calçada e vêm as bicicletas, tu sai ou elas te derrubam.? (M) "Não há entrosamento entre o grupo da longevidade e os jovens, parece que lugar de idoso é só no Grupo da Longevidade e não em outros espaços." (M) "Desde pequena a gente aprendeu que as pessoas de idade têm preferência, agora as mães dão preferência para as crianças, se tu vai num almoço é assim, na Igreja é assim, em qualquer lugar é assim e nós estamos na Terra da Longevidade. A gente sente que não tem o devido valor." (M) ?Outra coisa, tem pessoas que quando eu entro na fila dos idosos ou então no caixa lá fora, tem gente que reclama, mas como a senhora passou na minha frente, mas minha filha eu tenho vantagem eu tenho idade. Então é falta de respeito!? (M) ?Eu vejo muito desrespeito com os idosos principalmente pelos jovens... Eu vi eles (jovens) zombando de uma idosa e fui ajudar e eles zombaram de mim.? (M) "Numa família conservadora o jovem ou está trancado no quarto no computador ou fica na sala sem abrir a boca." (H) "Temos crianças, jovens, adultos e idosos e o que vemos por aí são jovens que acham que nunca vão ficar velhos, então começa por aí." (M) "Porque que eu vou me importar com o idoso se vai demorar para eu chegar lá, é dessa forma que os jovens pensam. ? (M) "Todo mundo se concentra na praça, domingo é cheio de crianças, de pessoas tomando chimarrão e os idosos sujeitos a Respeito aos direitos 51 levarem uma bolada." (M) Neste aspecto, os participantes levantaram várias sugestões de como melhorar o convívio entre as gerações. ?Tentar conscientizar para que os jovens tenham mais respeito. A escola complementa a educação que é dada pela família.? (M) ?Talvez a gente pudesse, já que existem vários grupos de idosos, talvez pudesse fazer uma interação maior entre crianças e idosos nas escolas, trabalhos mais voltados a isto porque eu vejo que a partir daí a gente vai aprender a ver a limitação dos outros.? (M) ?Temos que dar o exemplo de disciplina, pois já que temos experiência de vida, temos que dar exemplos. Os idosos têm este dever.? (M) ?Mostrar para os jovens que no futuro também ficarão velhos.? (M) ?Aqui em Veranópolis que já tem esse título de Cidade da Longevidade, uma sugestão é que se poderia convidar alguns idosos para que fossem guias turísticos, que contassem as histórias de seus antepassados, da imigração. Além deles serem valorizados, a gente não perde a história de como as coisas aconteceram.? (M) ?Seria interessante que os avós fossem para a escola contar histórias.? (M) Sugestões de como melhorar o convívio entre as gerações Também, na medida em que o tema ?respeito e inclusão social? foi sendo desenvolvido, surge, por parte de moradores das comunidades do interior, queixas de que são esquecidos. ?Se nós formos para o meio rural, então nós estamos abandonados (...) o interior nunca é visto e ele contribui tanto quanto, ou mais, do que as empresas. Vamos colocar assim, nós temos poço artesiano, mas não temos saneamento básico, se nós queremos o poço artesiano, nós pagamos para construir, para manter o poço, tudo nós pagamos. E se nós formos ver a questão dos idosos, nós não temos um programa de saúde da família que atinja o interior, nós temos idosos acamados, não tem assistência social, tem que penar para conseguir qualquer coisa. Então me parece que nós vamos ter que melhorar muito e mudar muito...? (M) "As comunidades do interior têm envelhecido, os filhos saem, vão para a cidade e os idosos ficam. Não há uma dificuldade financeira, mas há uma dificuldade afetiva. Seriam importantes, ações neste sentido, que fortalecessem os vínculos entre os que ficam." (M) Queixas dos moradores das comunidades do interior Além disso, também, surgiram colocações referentes à exclusão por causa da baixa renda ou cor da pele. ?As pessoas de menores condições, elas deixam de participar, pois estabelecem uma comparação com quem tem mais poder e Exclusão em função da baixa renda e da cor da pele 52 elas não se sentem bem, se sentem inferiorizadas.? (M) ?Existe preconceito com as pessoas menos favorecidas financeiramente e intelectualmente.? (M) ?Existe preconceito com quem mora no bairro Santo Antônio.? (M) ?Quem é moreno, só pode ser da ?segundinha? (Bairro Santo Antônio). Eu trato todo mundo igual e quero que me tratem igual também.? (M) O assunto abordado na discussão sobre serviços de assistência social, inclusive os de proteção contra abuso, apareceu também neste tema de ?Respeito e Inclusão Social?. Os entrevistados falaram da exploração do idoso e da falta de fiscalização. ?A exploração dos idosos é algo muito significativo, exploração pelos próprios familiares. Eu vejo muito isso sabe! Eu vejo denúncias, mas não vejo responsabilização.? (M) Exploração do idoso e falta de responsabilização Outro aspecto pelo qual os idosos se queixaram foi o desrespeito à história da cidade e as próprias histórias de vida deles. ?A história da cidade não é respeitada. É uma selva de pedra.? (M) ?Quando eu era pequena não tinha televisão, computador, essas coisas todas, então meu avô contava histórias. Gente! Eu me lembro destas histórias até hoje!? (M) A importância da cultura e como os idosos são valorizados em cada cultura também foi alvo de discussões. Constataram que as culturas italiana e japonesa respeitam mais os idosos em detrimento a cultura alemã. ?Por causa da cultura italiana, o italiano adora a ?nona? e o ?nono?.? (M) ?Os italianos respeitam muito mais que os alemães os idosos.? (H) ?Os japoneses valorizam mais os idosos.? (M) Falta de respeito com a história e patrimônio da cidade e com história dos idosos. Resumo No aspecto ?Respeito e Inclusão Social?, os resultados da pesquisa quantitativa se alinham com os da qualitativa somente na primeira questão, onde é perguntado sobre a valorização do participante na comunidade. Quando aprofundada a questão sobre respeito aos direitos, os resultados não corroboraram, uma vez que os participantes levantaram queixas em relação ao preconceito existente, principalmente por parte dos mais jovens. Verificou-se a partir disto grande distanciamento entre as gerações. Também quando foi questionado sobre a exclusão em função de baixa renda, surgiram queixas acerca da discriminação não só por baixa renda, como também pela cor da pele, diferente do que apareceu nos resultados da pesquisa quantitativa. Além disso, os moradores de comunidades do interior se dizem esquecidos pelo poder público no que se refere as políticas de saúde e assistência social. 53 Comunicação e Informação Quantitativo ? Questionando os idosos se conseguem, com facilidade, a informação que precisam sobre atividades e serviços, 78,7% responderam ?bom?, 15,0% ?razoável? e 4,7% ?fraco?. ? Qualificando se os prestadores de serviços são prestativos quando o idoso necessita de informação, 77,7% responderam ?bom?, 18,1% ?razoável? e 3,4% ?fraco?. ? Avaliando se o idoso tem acesso a equipamentos de comunicação eletrônica (como computador e smart phone) e consegue ajuda para aprender como usar, 54,5% responderam ?fraco?, 28,4% dos entrevistados acham ?bom?, e a mesma proporção (8,6%) de idosos respondeu ?razoável? e que não sabiam responder. Figura 25 - Gráfico de frequências das respostas aos aspectos do tema comunicação & informação Os três aspectos que compõem a temática comunicação e informação foram analisados para as quatro hipóteses de pesquisa. Curiosamente, apenas o terceiro aspecto mostrou-se associado em todos os testes (p<0,001). Nas 1ª e 2ª hipóteses, a frequência das respostas ao aspecto revelou uma percepção bastante negativa agravada pelo aumento da idade: 43,7% dos idosos jovens responderam ?fraco? para este aspecto; diferente dos 65,6% idosos com 70 a 79 anos e 67,9% idosos longevos. A percepção mais positiva foi inversamente associada com o aumento da idade: 37,7% dos idosos jovens, 19,9% dos idosos com 70 a 79 anos e 16,4% dos idosos longevos. Não houve diferença nas frequências da resposta ?não sei? para os grupos etários com percentual médio de 8,6%. No teste da terceira hipótese, novamente, o aspecto sobre o acesso e a ajuda para utilização dos equipamentos de comunicação eletrônica, apresentou correlação, ou seja, uma percepção mais positiva foi associada ao maior poder aquisitivo do idoso. Sendo assim, apenas 19,1% dos idosos com renda até dois SM responderam ?bom? a este aspecto, 33,2% dos idosos com renda intermediária e 65,1% com renda superior a cinco SM. Também, houve associação direta entre a percepção mais negativa (resposta ?fraco?) e menor poder aquisitivo com frequências de 63,8%, 48,9% e 18,1%, da menor para a maior faixa de renda individual. No teste da quarta hipótese, o mesmo terceiro aspecto foi associado, desta vez às diferentes percepções da saúde do idoso. Neste sentido, 47,6% dos idosos que percebem sua 54 saúde como ?excelente? ou ?muito boa? avaliaram o aspecto como ?bom?, diferente dos 33,5% que percebem sua saúde como ?boa? e, também, diferente dos 15,1% que percebem a saúde como ?regular? ou ?ruim?. Da mesma forma, porém inversa, a avaliação mais negativa sobre o aspecto foi associada à pior percepção da própria saúde. Qualitativo Na abordagem de fontes de informação e meios de comunicação, o que mais foi ressaltado, foi a importância das rádios locais. Para a maioria dos participantes ela proporciona todas as informações necessárias sobre eventos, notícias e serviços. ?A Rádio Veranense é um importante meio de comunicação.? (M) ?Eu acho importante a comunicação da rádio, divulgando as notícias do dia e do dia anterior, não só da cidade como também de outras cidades, de hora em hora fazem o relato dos acontecimentos.? (M) ?Eu tô ligada na Veranense. Quem ouve a Rádio Veranense está muito bem informado.? (M) ?Eu, por exemplo, eu ouço todo dia a rádio. Tu tem na rádio todas as informações. Eu, como não trabalho fora, só em casa, então eu escuto bastante. Daí tu fica a par de tudo.? (M) ?Rádio, rádio é de manhã de noite. Rádio e programas que tem no município a gente procura ouvir, jornal...? (M) ?Acho que através da rádio é um veículo mais fácil, mais acessível, as pessoas têm muito mais contato com esse meio de comunicação, principalmente as pessoas com um pouco mais idade. Não têm acesso ao s meios eletrônicos, computador. Acho que é através da rádio sim... (M) ?Se o rádio não tá ligado quando eu chego, eu ligo. ? (M) A rádio é a principal fonte de informação Enquanto que a rádio foi motivo de elogios, os serviços de telefonia foram motivos de reclamações. Se por um lado, muitos dizem depender do telefone fixo como único meio de comunicação, por outro lado, estes serviços não são bem avaliados, principalmente por falta de atendimento ou mau atendimento. Antes da privatização os serviços parecem ter sido melhores. ?Eu não posso ficar sem a comunicação de telefone porque eu posso ficar doente. Preciso chamar meu filho, chamar médico, chamar alguém para me atender, posso ser roubada, tem que ligar. Eu não lido com a internet. É uma necessidade para mim.? (M) ?O sistema de comunicação telefônica, principalmente, é muito deficitário e isso não contribui em nada para a comunicação, pelo contrário causa irritação e problemas.? (H) ?(...) para tu conseguir alguém para conserto, acho que o maior problema de telefone ultimamente. Solicita, solicita. Não sei se no centro é assim, mas no interior é assim. Solicita, solicita. Agora com a Adylnet melhorou bastante, mas é um problema Serviços de telefonia deixam a desejar 55 muito sério.? (H) ?Empresas de telefonia e luz falam numa linguagem difícil de entender nos contatos telefônicos.? (H) "Tem uns rolos que tu sai pior do que tu entrou, se expressam mal, você não entende nada e no final acaba desligando o telefone." (H) ?Antes de privatizarem as empresas de telecomunicação o atendimento era melhor.? (H) Outra dificuldade em relação à telefonia fixa são problemas com o recebimento dos boletos e a forma do pagamento. ?Eu tenho ligado muito e brigado muito com a Oi. Eles me dizem que mandam, mas eu não recebo. Eu não sei se é porque é terceirizado, então a gente não pode nem estar concorrendo, eu não sei como isso está funcionando, eu não recebo a conta há três meses. Eu tenho que ir na lotérica com a conta anterior e pagar uma taxa.? (M) ?Eu estou passando pelo mesmo problema, uma vez a conta do meu telefone era descontado na Caixa (Caixa Econômica Federal), eu mudei meu plano, aí não teve mais jeito. Fui na Caixa conversei e não teve mais jeito. Eu recebo boleto e pago por fora no caixa.? (M) ?Eu tenho a impressão que é o seguinte, que cada vez mais eles querem menos papel, porque ela me deu lá uma infinidade de números para pagar. Eu até falei para ela: você fala devagar porque sou uma pessoa idosa tenho problemas de audição, fala devagar. Mas era uns 20 números para mim ir lá no banco e pagar.? (M) Alguns que usam o celular dizem apenas usá-lo para chamadas e constatam que a interface do celular não foi desenhada para as necessidades de pessoas idosas. "Agora aprendi a usar o celular, só para chamar e atender, para mim não precisa de mais nada." (M) "No telefone eu só atendo, ligo e mando mensagem." (M) ?Eu gostaria de colocar com relação aos aparelhos de telefone. Eles não são apropriados para terceira idade, eu tenho dificuldade porque é muito miudinha a letra, o número é muito pequeno. Acho também que é um fator limitante. O aparelho não é pensado para terceira idade.? (M) Em relação ao uso das novas tecnologias de comunicação, como mídias sociais e ferramentas como, por exemplo, o Skype e o Whatsapp, as opiniões variam bastante. Algumas pessoas reconhecem que a internet é uma ótima fonte de informações, inclusive por ser dinâmica, e que sem acesso a ela, a vida se tornará cada vez mais difícil. ?(...) É e uma coisa ótima para todas as pessoas hoje porque é onde se recebe as informações.? (H) ?O meio eletrônico é importante para quem consegue acessar porque ele te dá uma dinâmica muito boa, tu está ouvindo e tu Novas tecnologias trazem oportunidades e obstáculos 56 pode te manifestar e tu já pode voltar lá e perguntar se tu não entendeu direito. Quer dizer, te dá uma amplitude e uma via dupla, uma troca imediata. Acho muito interessante este aspecto de comunicação.? (M) ?Outra comunicação que é rápida é via celular, internet, whatsapp e outros também. Então, eu vejo assim que é uma facilidade hoje.? (H) ?Daqui a cinco anos quem não tiver um computador e quem não conseguir dominar o computador não fala mais , ou telefone, ou coisa assim, não fala mais.? (M) Também falam das dificuldades de acessar a internet. Alguns idosos preferem nem aprender, já outros dizem estar contentes de ter superado este medo do computador e recomendam a outros. ?Para muitas pessoas idosas (...), não tem conhecimento, não tem como usar o aparelho. Então tudo isso é uma dificuldade.? (H) ?(...) Eu levei até agora [para aprender] e eu tenho ainda dificuldade em saber o que é um programa, aplicativo, arquivo. Essa nomenclatura não é muito familiar, para eles [os jovens] é tranquilo.? (M) "Não gosto de computador porque tenho que passar muito tempo parada fazendo a mesma coisa, não conseguiria ficar na frente do computador. Gosto de falar, de me comunicar." (M) ?Não uso e não quero usar.? (M) ?Comunicação social, para alguns ainda é um obstáculo muito grande. Mas eu aconselho também, eu tinha medo do computador, tenho 65 anos e graças a Deus, to inserido nesse aqui, to viciado no computador.? (H) Como também já tinha sido mencionado na discussã o sobre oportunidades de aprendizagem, foi identificada uma demanda para cursos, inclusive para quem não sai mais de casa. ?(...) Já dos 30 aos 50 [anos] é um pouquinho mais devagar, essa coisa. Eu acho isto era uma coisa que poderia ser alterada, através sei lá, pelo poder público ou de alguma coisa de oferecer a possibilidade das pessoas aprenderem e se interessarem por isso, porque é forma de comunicação do futuro.? (M) ?Gostaria de aprender, mas não consigo ir até a aula. (...) Gostaria que alguém viesse em casa ensinar.? (M) Ainda em relação à tecnologia, os participantes manifestaram dificuldades no acesso ao caixa eletrônico dos bancos. Dizem que necessitam de ajuda, mas como, às vezes, demoram para receber ajuda dos funcionários, acabam aceitando ajuda de pessoas estranhas ou pedem ajuda para pessoas conhecidas. "A maioria dos idosos não consegue nem receber o salário, fica na fila esperando que um funcionário do banco ajude no caixa eletrônico." (M) ?Em alguns bancos falta funcionários para auxiliar os idosos em Demanda por cursos de informática O acesso aos caixas eletrônicos é difícil 57 tempo integral.? (M) ?Eles têm gente. Eles dão ajuda, mas às vezes demora, às vezes passa meio hora para aparecer um funcionário para te atender.? (M) ?Eu sempre vejo quando vou no banco, (...) eu vejo tantas pessoas com mais idade do que eu que às vezes ficam lá esperando. Deveriam ter mais pessoas que pudessem auxiliar nesses ambientes, só que às vezes não tem, só tem um (...). Aí ficam lá os pobrezinhos esperando que a pessoa possa imaginar, talvez até é bom, por um lado, que apareçam pessoas estranhas de fora que acabam ajudando. (...) Precisaria de mais ajuda de pessoas do local para ajudar as pessoas nos sistemas eletrônicos. Porque eles precisam muito. Muito mesmo.? (M) ?Meus conhecidos sempre me levavam, me acompanhavam quando eu ia para o banco ou para o mercado.? (M) No que diz respeito ao acesso à informação algumas pessoas dizem que não falta informação, mas falta interesse da população. Recomendam o site e o mural da Prefeitura como um bom lugar para as pessoas acessarem informações sobre o que está sendo oferecido. ?Aquela questão assim. A comunicação não seria o maior problema, hoje você tem rádio, jornal, Facebook, Whatsapp. Comunicação, a gente tem informações. Só questão de se interessar, em saber. Acho que falta mais interesse do que falta de comunicação.? (H) ?O problema eu acho disso tudo, ela existe ou pode até existir. O problema maior é falta de interesse. Eu vejo assim. Comunicação eu vi lá tinha curso para isso.? (H) ?Existe também um mural na Prefeitura que tem todas as informações. Se a gente quisesse buscar, tem todas as informações lá, que, às vezes, nem no rádio divulga, que é muita coisa sobre tudo que acontece.? (M) ?O site é bom também. Ele é analisado diariamente, ele é bem importante porque, além de divulgar aquilo que foi feito, divulga aquilo que está para acontecer.? (M) Outros dizem que há necessidade de melhorar a comunicação sobre as atividades e serviços oferecidos no município, ou mesmo sobre aonde encontrar um produto ou serviço. ?Tem muita gente que não tem esta informação [sobre a Biblioteca Municipal]. Eu, por exemplo, não tinha está informação. É a primeira vez que tenho essa informação. Tem muita gente que não tem esta informação. Tem que ter mais divulgação.? (M) ?Eu trabalho na entidade Liga de Combate ao Câncer e muita gente chega lá e fala: não sabia que existia esse movimento. Então, está faltando uma comunicação maior (...) a gente já procurou fazer palestras e chamar gente de fora, eu não sei porque, mas é muito pouca a participação.? (M) ?Eu sinto falta às vezes, eu falo não só das questões públicas, Há disponibilidade de informações, mas falta interesse da população. Falta de divulgação, necessidade de fonte central de informações. 58 mas às vezes eu quero saber um telefone, procurar um serviço, se tem alguma coisa, o próprio comércio, procuro um produto, eu encontro aqui ou não. Eu acho que é nesse sentido que falta ainda um site com essa questão dos serviços.? (M) Foi sugerido que tivesse um local central com todas as informações relevantes e em geral uma melhor divulgação do que está sendo oferecido, inclusive pela Secretaria de Saúde. ?[Deveria] centralizar as informações num determinado horário da rádio ou um site, onde sejam divulgadas as coisas que acontecem na cidade como palestras, cursos, porque tu entraria no site no horário que quiseres e escolheria o assunto. Ai tu entraria no site e veria a programação para a população do município. Poderia ser por setores, por exemplo, palestras, jantares beneficentes como no caso a Liga. Não precisa obrigatoriamente ficar ouvindo a rádio para conseguir estas informações.? (M) ?(...) A entidade precisa tornar público para a comunidade através da rádio, jornal, celular que hoje facilita.? (H) ?Então eu acho que a Secretaria de Saúde deveria divulgar mais.? (M) Uma pessoa mais jovem que participou de um dos Fóruns públicos compartilhou sua visão sobre os meios de comunicação usados pelos idosos, ressaltando a importância da comunicação de boca a boca, ponto que também foi levantado pelos idosos. ?(...) Eu vejo as pessoas de mais idade com quem eu convivo, é muito repasse de informações, de atualização, de amizades conversa.? (M) ?Para quem trabalha fora, até tem essa facilidade porque o acesso de estar em contato com os meios, estar em contato com a informação. Para quem trabalha e está na rua o acesso é mais tranquilo.? (M) Os meios de informação que menos foram levantados foram a televisão e os jornais impressos. Mas a leitura de jornais, inclusive o jornal local foi identificado como uma boa fonte de informação. ?Outro aspecto é o jornal. A nossa cidade ela está bem informada em relação ao jornalismo. Nós temos vários jornais como Estafeta, Panorama, Zero Hora, Correio, Pioneiro. É só procurar que a gente consegue muita informação.? (M) ?Agora, como o colega que falou, quem não tem como procurar os meios, aí que dificulta. Agora, se as pessoas têm mais tempo, então elas têm mais facilidade e mais conhecimento também. Então, isso facilita muito. A informação a gente tem que estar a par. Outra coisa, leitura muita leitura. O idoso em qualquer idade precisa ler, ler para aprender para se informar.? (M) Quem mais falou sobre a importância da televisão foram os idosos que foram entrevistados em domicílio, que saem pouco de casa, e que gostam de assistir à missa na TV. Estes não concordam com a violência apresentada nos canais abertos. 59 ?Assisto missa e futebol, notícias.? (H) ?Na TV tem muita coisa. Na TV Aparecida sempre assisto a missa.? (H) ?Eu sempre gostei de assistir televisão.? (H) ?Canais abertos apresentam só violência. Os canais pagos são melhores.? (H) Resumo No que se refere à ?Comunicação e Informação?, os resultados da pesquisa quantitativa se alinham com os da qualitativa. Em relação ao acesso à informação, colocam as emissoras de rádio locais como um importante meio de acesso a tudo que ocorre da cidade. Quando aprofundada a questão que trata da cortesia de prestadores de serviço quando necessitam de informação a grande queixa foi em relação às empresas de telefonia. Em relação ao uso de equipamentos eletrônicos e às novas tecnologias houve bastante discussão. Ao mesmo tempo em que alguns julgam este acesso importante e gostariam de aprender, outros apresentam resistência até mesmo na utilização do caixa eletrônico. Oportunidades para aprender Quantitativo ? Questionando se o idoso tem acesso a cursos, palestras ou aulas sobre assuntos que lhe interessam, 50,3% acham ?bom?, 28,2% ?fraco? e 18,6% ?razoável?. ? Quanto às oportunidades para desenvolver novas habilidades para o trabalho, 45,3% dos idosos responderam que tem boas oportunidades, 27,4% julgam que são poucas e 22,2% acreditam que são razoáveis. Um percentual de 5,1% não soube opinar. ? Para a questão ?Há oportunidades para desenvolver novas habilidades para o meu desenvolvimento pessoal ou para ajudar os outros?, 51,7% responderam ?bom?, 25,5% ?razoável?, 17,8% ?fraco? e 5,0% não souberam responder. Figura 26 - Gráfico de frequências das respostas aos aspectos do tema oportunidades de aprendizagem 60 A temática oportunidades de aprendizagem apresentou correlações pertinentes nos testes de hipóteses. Nas 1ª e 2ª hipóteses, os três aspectos que compõem este tema foram fortemente associados à faixa etária (p<0,001). No primeiro aspecto avaliado sobre cursos, palestras ou aulas que interessam ao idoso, a frequência das respostas positivas foi inversamente associada ao aumento da idade: 56,1% em idosos jovens; 47,6% em idosos com 70 a 79 anos e 37,1% em idosos longevos. A percepção negativa foi diretamente associada à idade: 22,2% dos idosos jovens responderam ?fraco?, 32,2% dos idosos com 70 a 79 anos e 40,0% dos idosos longevos. No segundo aspecto do tema, sobre oportunidades para desenvolver novas habilidades para o trabalho, a frequência das respostas positivas dos idosos jovens (54,1%) foi maior que as dos idosos com idades entre 70 e 79 anos (37,7%) e dos idosos longevos (31,4%). De forma semelhante, porém inversa, a percepção negativa foi menor nos idosos jovens (18,2%) do que nos idosos com idades entre 70 e 79 anos (36,3%) e dos idosos longevos (40,0%). E, no terceiro aspecto, sobre oportunidades para desenvolver novas habilidades para o desenvolvimento pessoal ou para ajudar os outros, a frequência das respostas positivas dos idosos jovens (60,3%) foi maior que as dos idosos com idades entre 70 e 79 anos (48,0%) e dos idosos longevos (31,4%). A percepção negativa, novamente, foi menor nos idosos jovens (11,1%) do que nos idosos com idades entre 70 e 79 anos (21,2%) e dos idosos longevos (32,9%). Na terceira hipótese de pesquisa, os três aspectos, igualmente às hipóteses anteriores, foram associados ao poder aquisitivo do idoso. No primeiro aspecto, sobre o acesso a cursos, palestras ou aulas, 45,7% dos idosos com renda até dois SM responderam ?bom?, diferente dos 52,9% idosos com renda intermediária e dos 63,9% idosos com renda superior a cinco SM. A percepção mais negativa, também, foi diretamente associada à menor renda (p=0,016). No segundo aspecto, sobre as oportunidades para desenvolver novas habilidades para o trabalho, percebeu-se uma diferença (p=0,013) nas percepções positivas dos idosos com renda até dois SM (40,9% responderam ?bom?) comparado às duas demais faixas superiores de renda: 50,2% dos idosos com renda entre dois e cinco SM e 56,6% dos idosos com renda superior a cinco SM. A percepção mais negativa (resposta ?fraco?), também, foi associada à renda mais baixa. No terceiro e último aspecto do tema oportunidades de aprendizagem, as conclusões foram semelhantes às do segundo aspecto descrito (p=0,012), porém com as percepções um pouco mais positivas para cada faixa de renda: 48,1% dos idosos com menor renda responderam ?bom? ao aspecto; 54,3% dos idosos com renda intermediária e 66,3% dos idosos com renda acima dos cinco SM. Para a quarta e última hipótese, os três aspectos da cidade que compõem o tema oportunidades de aprendizagem foram associados à percepção da saúde do idoso (p<0,01), confirmado a hipótese elaborada. No geral, a frequência das respostas ?bom? foi diretamente associada à melhor avaliação da saúde, assim como a frequência das respostas ?fraco? foi inversamente associada. Qualitativo Quando perguntados sobre as oportunidades para aprender coisas novas ou para desenvolver novas habilidades para o trabalho, para o desenvolvimento pessoal, ou por prazer ou para manter-se ativo na comunidade, a questão que mais foi discutida é de cursos para aprender utilizar o computador e a internet. Para que os cursos sejam adequados para os idosos, eles recomendam ter aulas com frequência, sem grandes intervalos, e que elas sejam direcionadas especificamente aos idosos, e atendendo vários níveis de conhecimento. Demanda de cursos que ensinem a utilizar as novas tecnologias. 61 ?[Precisaria de] cursos de informática para idosos com aulas próximas para não esquecer...? (M) ?Eu acho que seria bom que tivesse um curso de informática para uma idade, tipo para nossa idade. Mas não assim um curso hoje, depois daqui a quinze dias não sei o que. A gente perde.? (M) ?Pelo menos três vezes por semana, no mínimo.? (H) ?(...) Falta mais, eu penso, cursos para quem? Para acessar, que tem muita gente que eu vejo, lá [no interior] mesmo, o pessoal tem internet, mas não sabe acessar, não tem ninguém que ensine. Eu acho que no interior tem que trazer cursos para essa aprendizagem, o que eles não fazem, ninguém faz isso. Levar para lá [interior] porque trazer para cá [as pessoas] é difícil.? (H) ?O que seria mais indicado seriam cursos. A Apple tem cursos para mexer nos iPhones. Seria adequado dar estrutura a um curso que ensine os idosos a mexer nesses telefones porque a tecnologia não vai retroceder. (...)? (H) ?Se tivesse um curso mais avançado de computador para a terceira idade eu fazia.? (H) Do outro lado, algumas pessoas admitem que não é a falta de cursos que os faz evitar estas tecnologias. É a falta de interesse ou a priorização de outras atividades. ?No meu caso, não sei nem digitar meu nome no computador, nem o básico certo. Nunca me interessei pelo computador, tenho computador, internet, tenho tudo, mas nunca me interessei.? (H) ?Eu respondo sempre que não quero aprender.? (M) ?Está errado. Por que a gente manda na gente. Eu não quero por que eu tenho muitos compromissos. Se eu aprender computador eu fico lá e não saio mais de casa, eu não vou ter mais o contato físico, três vezes por semana na Liga... eu vou ficar é no computador.? (M) A mesma dificuldade aparece quando falam sobra a habilidade de manusear o caixa eletrônico. ?O caixa eletrônico é mais difícil de usar, quando comecei a aprender a usar, depois trocou tudo.? (M) ?A maioria dos idosos não consegue nem receber o salário, fica na fila esperando que um funcionário do banco ajude no caixa eletrônico." (M) Falta de interesse no aprendizado das novas tecnologias. Em relação a outras oportunidades de aprendizagem, falaram da necessidade de oficinas de geração de renda, como também cursos de artesanato. As pessoas sentem falta de atividades de artesanato no Centro da cidade, enquanto reconhecem que a oferta deste tipo de Pouca oferta de cursos ou atividades específicas para 62 atividade é melhor nos bairros. ?Eu acho que cursos que possibilitem a realização de uma atividade, que pode até ser remunerada ou deveria ser remunerada. Porque o idoso hoje, a necessidade maior que ele tem, eu acho, é se sentir útil, eu acho que ele precisa dessa possibilidade inclusive ganhar com uma atividade que ele está exercendo. Eu acho que tem muito pouco. São os cursos que proporcionam a possibilidade de exercer uma atividade remunerada ou não. E o acesso das pessoas a esses cursos. Não precisa ser necessariamente um curso, pode ser uma especialização, pode ser palestra, pode ser sabe, coisas assim que proporcionem participação, que as pessoas possam se sentir até, que possam se aprimorar e fazer um voluntariado, mas sabendo o que elas estão fazendo lá. Por que em geral, muito se vê, das pessoas terem vontade de fazer alguma coisa, mas são largadas num local e não tem muita ideia do quê que elas vão fazer, o que elas vão dizer. Por que elas estão lá, qual é que é o serviço que prestam.? (M) ?Por exemplo, nos bairros tem maior acesso a cursos de tricô, crochê, todas essas coisas.? (M) ?No Centro não tem cursos, só que têm pessoas que precisariam ou gostariam também no Centro. Nos bairros têm cursos de crochê, culinária. No centro não temos.? (M) idosos. Sentiram também falta de atividades específicas para idosos, e mais especificamente para homens idosos. ?Eu estou fazendo inglês com adultos jovens, porque não consegui turma com pessoas da minha idade.? (M) ?Os profissionais deviam ter cursos para determinada idade, que são mais devagar, porque, às vezes, o jovem, o mais novo, já tá lá na frente e tu não conseguiu acompanhar.? (M) ?Para os homens o quê que temos? Qual é o aprendizado ou atividade...?? (H) ?Não tem nada que me atrai.? (H) Pouca oferta de cursos ou atividades para o público masculino. Resumo Em relação à ?Oportunidades de aprendizagem?, a existência de cursos e palestras; oportunidades para desenvolver novas habilidades para o trabalho e oportunidades para desenvolver novas habilidades para o desenvolvimento pessoal e para ajudar os outros foram, de modo geral, avaliadas de forma positiva na pesquisa quantitativa. Já na qualitativa houve controvérsias, já que muitos participantes colocaram que faltam cursos específicos para o público idoso, como por exemplo, um curso que ensine a usar a internet. Também colocaram a falta de algumas atividades de aprendizagem voltadas ao público masculino. 63 Apoio e Cuidado Quantitativo ? Qualificando as oportunidades que o idoso tem para aprender a ser saudável e ficar em forma, 83,4% responderam ter boas oportunidades, 10,9% que as oportunidades são razoáveis e 4,7% que são poucas. ? Questionando se a família e amigos mais próximos do idoso estão disponíveis quando precisa de ajuda, 95,5% acreditam que sim, 3,7% responderam ?razoável? e 0,8% julgam que não. ? Ao serem indagados se os vizinhos são amigáveis e prestativos, 88,7% responderam ?bom?, 9,5% ?razoável? e 1,4% ?fraco?. ? Avaliando se existem serviços de suporte a um preço acessível (como um operário ?faz- tudo?; serviços de entrega de compras ou de medicamentos), 38,3% responderam ?bom?, 25,9% não souberam responder, 19,7% acham ?razoável? e 16,1% ?fraco?. ? Quando os idosos foram questionados sobre a existência de serviços de suporte como os centros-dia, 39,9% consideram que há poucos e apenas 15,9% responderam ?bom? e 6,3% ?razoável?. Um número expressivo de idosos (328 indivíduos ou 38,0%) não soube informar sobre a existência deste tipo de serviço. ? Qualificando se o serviço de saúde local proporciona bons cuidados, 77,2% dos idosos responderam ?bom?, 16,9% ?razoável? e 4,4% ?fraco?. ? Para a questão ?Há disponibilidade de serviços para ajudar alguém que esteja sofrendo maus tratos e negligência?, 42,0% dos entrevistados responderam ?bom?, 12,8% ?razoável? e 10,2% ?fraco?. Novamente, um número expressivo de idosos (302 indivíduos ou 35,0%) não soube responder sobre a disponibilidade dos serviços de proteção ao idoso. ? Ao questionamento se o idoso tem acesso a boas instituições de longa permanência, caso não possa mais ficar em sua casa, 38,1% consideraram ?bom?, 18,2% ?razoável? e 13,1% ?fraco?. Um percentual de 30,7% não soube responder. Figura 27 - Gráfico de frequências das respostas aos aspectos do tema apoio & cuidado 64 Nos testes das quatro hipóteses de pesquisa, a temática apoio e cuidado, apresentou algumas correlações interessantes. Nas 1ª e 2ª hipóteses que sugerem a influência da idade sobre as percepções positiva/negativa, dois aspectos corroboram com as hipóteses formuladas. (1) Tenho oportunidades para aprender a ser saudável e ficar em forma. A frequência da percepção positiva dos idosos jovens (86,0%) foi maior (p=0,040) que a dos idosos longevos (77,1%). (2) Há serviços de suporte como os centros-dia. A frequência das respostas negativas a esse aspecto foi maior (p=0,022) nos idosos longevos (46,4%) que nos idosos com idades entre 70 e 79 anos (35,2%). Da mesma forma, porém inversa, a percepção positiva foi menor nos idosos longevos (7,9%) que nos idosos da faixa etária anterior (20,9%). Não houve diferença nas frequências das respostas ?não sei? entre os três grupos etários com percentual médio de 38,0%. No teste da terceira hipótese, somente o aspecto sobre se o idoso considera que tem oportunidades para aprender a ser saudável e ficar em forma mostrou uma percepção mais positiva (p=0,038) dos idosos com maior renda (92,8% responderam ?bom?) comparada aos idosos com poder aquisitivo até dois SM (80,9%). Por fim, para a 4ª hipótese de pesquisa, três das oito questões abordadas na temática apoio e cuidado mostraram-se associadas à percepção da saúde do idoso: (1) tenho oportunidades para aprender a ser saudável e ficar em forma; (2) há serviços de suporte a um preço acessível e (3) há disponibilidade de serviços para ajudar alguém que esteja sofrendo maus tratos e negligência. Para a primeira questão deste tema, 77,5% dos idosos que avaliaram a própria saúde como ?regular? ou ?ruim? responderam positivamente, diferente (p<0,001) dos 93,0% que acham a própria saúde ?excelente? ou ?muito boa? e dos 85,4% que avaliaram como ?boa?. Para a questão sobre serviços de suporte, a qualidade da própria saúde foi diretamente associada à percepção positiva da pergunta (p=0,002). Desta forma, apenas 49,7% dos idosos que percebem a sua saúde como ?excelente? ou ?muito boa? responderam ?bom? à questão, diferente dos 38,9% dos que acham sua saúde ?boa? e, também, diferente dos 33,0% que consideram sua saúde ?regular? ou ?ruim?. Para finalizar, o último aspecto da cidade que apresentou associação à percepção da saúde, refere-se à disponibilidade de serviços de ajuda aos idosos. As frequências da resposta ?bom? foram semelhantes às do aspecto anterior descritas, porém, uma frequência maior (p=0,002) de idosos que percebem sua saúde como ?regular? ou ?ruim? (41,6%) não soube opinar sobre a questão, possivelmente, por não conhecerem os serviços de auxílio aos idosos em situação de maus tratos e negligência. Qualitativo Em relação aos familiares, amigos e vizinhos, percebe-se que a maioria dos idosos sente-se cuidado e amparado, conforme revelado na discussão sobre a participação social. ?Meus filhos são bem bons para mim, posso pedir o que eu quiser que eles compram para mim.? (M) ?Meu filho queria até que eu fosse morar num apartamento ali no centro, mas eu não quis.? (M) ?Têm os filhos, eles estão sempre disponíveis, não posso me Relação de apoio e cuidado com familiares e amigos. 65 queixar.? (M) ?Eu aqui, graças a Deus, meus vizinhos são muito bons... me querem bem. Eu sinto quando me querem bem. A gente sente o calor da pessoa, o amor.? (M) Os serviços de saúde de modo geral também foram bem avaliados, dentre eles o Hospital Comunitário São Peregrino Lazziozi. ?Meu falecido marido foi bem atendido, não tenho do que me queixar.? (M) ?De um modo geral nosso hospital aqui, no comparativo com os demais, nós estamos muito bem servidos... de um modo geral é muito bom.? (M) ?Oferece bons cuidados.? (M) ?Esse hospital aqui para mim foi muito bom, quando meu marido ficou doente me ajudaram bastante. O hospital aqui para mim é um espetáculo.? (M) Boa avaliação dos serviços de saúde. Apesar da boa avaliação, alguns entrevistados relatam não ter plantão médico por especialidade e colocam o fato de que o hospital daqui não dispõe de UTI, como pontos negativos. ?Não tem cardiologista disponível no final de semana no plantão.? (H) ?Às vezes, pacientes com problemas graves têm que se deslocar pra Bento e morrem no caminho.? (M) ?Às vezes, ficam segurando o paciente e não resolvem o problema. Deviam orientar a procurar fora daqui nestes casos.? (M) Sugestões de melhorias: plantão médico por especialidade e criação de UTI. Em relação aos Postos de Saúde, vários aspectos positivos foram relatados. ?Pessoas muito maravilhosas. (...) Se eu me queixo tô fazendo um pecado.? (M) ?Sempre têm as medicações no posto.? (M) ?Eu sempre recebo visita do Posto de Saúde [agentes de saúde].? (M) ?Eles (agentes de saúde) vêm uma vez por mês fazer uma visitinha, mas se precisar eles vêm mais.? (M) ?O acesso à saúde pelo SUS é muito bom.? (M) ?Campanhas e palestras oferecidas pelo Posto de Saúde.? (H) Avaliação positiva dos postos de saúde. Ainda em relação aos Postos de Saúde, alguns entrevistados colocam a falta de visita domiciliar dos agentes ao Bairro São Francisco e a dificuldade de acessibilidade do Posto de Saúde Central. ?Lá no São Francisco (Bairro) eles nunca vieram (agentes de saúde).? (M) ?Falta de acessibilidade para pessoas com dificuldade de Alguns pontos negativos dos Postos de Saúde. 66 locomoção no Posto de Saúde Central.? (M) Ainda em relação ao aspecto do acesso a saúde, foi observado em algumas falas, que os moradores das comunidades do interior gostariam que os serviços de saúde e assistência social chagassem até eles na própria comunidade. ?Por exemplo, a comunidade Nossa Senhora das Dores e as outras comunidades, que possa de alguma forma, algum serviço, algumas coisas acontecerem na comunidade, para que fortaleça cada vez mais isso de se preocupar com o outro, cuidar do outro, cuidar da saúde.? (M) ?Retorno do projeto que se fazia no interior, onde iam vários profissionais da saúde no sábado à tarde no interior, faziam palestras e mediam pressão.? (M) ?Eu trabalhei na estratégia de saúde da família no Bairro Santo Antônio e tinha essa coisa de uma vez por semana era revezado entre os postos de saúde e ia médico, enfermeiro e carro da saúde para o interior.? (M) Serviços de saúde e assistência social não chegam às comunidades do interior. Quando questionados sobre oportunidade de aprender a cuidar da saúde, a maioria responde de forma positiva. Como fontes de informação sobre como cuidar da própria saúde mencionam palestras e campanhas, o Posto de Saúde, a TV, o grupo de pesquisa da longevidade e as academias. ?Campanhas e palestras oferecidas pelo Posto de Saúde.? (M) ?Programas de televisão que ensinam a cuidar da saúde.? (M) ?Adoro o programa Bem-Estar da Rede Globo, lá a gente aprende um monte de coisas.? (M) ?O grupo de pesquisa daqui ajuda bastante.? (H ? referindo-se ao Projeto de Prevenção) ?Na academia podemos aprender a cuidar da saúde.? (M) "Sim, uma vez por mês, as agentes de saúde nos visitam." (M) "Sim, tem o grupo de pesquisa da longevidade que participo há anos, também tenho uma filha que é técnica de enfermagem e me ajuda bastante." (H) Oportunidades para aprender a cuidar da saúde avaliadas de forma positiva. Ao mesmo tempo em que a televisão e a mídia escrita aparecem como meios importantes no auxílio ao cuidado com a saúde, os entrevistados mostraram-se confusos diante de algumas informações divulgadas, julgando-as desencontradas ou contraditórias. Também aparecem queixas sobre a inadequação dos rótulos dos alimentos. ?As informações sobre saúde nos meios de comunicação são muitas e muitas vezes desencontradas.? (M) ?Aí tu lê na revista tudo bem, tá tudo muito bom, e pensa que tá tudo muito bom, daí no outro dia tu pega a Zero Hora e aí fala uma coisa contrária aquilo, a minha cabeça fica de perna pro Contradições de informações oriundas de alguns meios de comunicação. 67 ar!? (M) ?Os produtos no mercado têm rótulos escritos muito pequenos e enganam o consumidor.? (M) ?Eu cheguei a comprar uma lupa, porque eu fico meia hora na frente do produto e não enxergo.? (M) ?Há muita dificuldade em se definir se é aconselhável usar ou não certos alimentos.? (M) Conforme mencionado no tema ?oportunidades de participação?, quando questionados sobre a existência de um espaço para atividades com idosos, muitos dizem faltar um espaço de convivência diário, com atividades voltadas ao idoso que está ativo. De forma recorrente colocam que o Grupo da Longevidade oferece atividades restritas e ocorre somente um dia da semana. ?Existe um projeto para criar o Centro do Idoso... É uma ideia muito boa, pois vai trazer inclusive o pessoal do asilo para interagir.? (H) ?Se tu tiver um centro de apoio ao idoso vão surgir palestras sobre vários aspectos, sobre o que é bom e o que é ruim.? (H) ?[O que falta são] Centros confiáveis com profissionais que pudessem orientar o que comer e beber.? (H) ?Seria interessante ter um lugar onde os idosos pudessem passar o dia e fazer várias atividades e ter um momento de troca com outras gerações e pessoas da mesma idade.? (M) "Me sinto bem no grupo dos idosos das terças-feiras, não vejo a hora que comece, quando tô lá não penso em nada ruim. A gente não vê a hora que chegue terça-feira, passa duas, três horas e tu não vê passar. Gostaria que tivesse algo parecido todos os dias." (M) "O dia do idoso passou em branco, o dia da mulher a gente sabe que fazem programação, mas nunca fico sabendo de nada do dia do idoso." (M) Demanda por um espaço (Centros dia) onde aconteçam diversas atividades voltadas ao idoso ativo. De modo geral, os participantes reconheceram que a questão do cuidado de longa duração é um assunto cada vez mais relevante devido ao envelhecimento populacional. ?Temos que nos preparar, pois as famílias estão cada vez menores e a sociedade não está pronta para receber a demanda de longevidade que está por vir.? (M) ?Os idosos tinham muitos filhos, agora as pessoas têm cada vez menos filhos e quem vai cuidar?? (M) O envelhecimento populacional requer uma sociedade preparada. Em relação à existência de instituições de longa permanência na cidade, os entrevistados colocam a falta de instituições que possam dar conta da crescente demanda de idosos. "Faltam instituições que atendam idosos, aqui tem, mas são Falta de instituições de longa permanência na cidade. 68 pagas." (M) ?Eu acho que tem que ter mais espaços para os idosos que não podem mais ficar em casa, mais locais.? (M) ?As instituições particulares são muito caras e as públicas nunca têm vagas.? (M) ?Quem não tem condições [de pagar], não tem para onde ir.? (H, fazendo referência a uma instituição de longa permanência.) Alguns avaliam o Lar São Francisco de forma positiva, outros apontam aspectos importantes a serem melhorados. ?Achei o Lar bem cuidado, bem limpinho.? (M) ?O Lar (São Francisco) aqui para mim é muito bom.? (M) ?Tem uma prima minha lá no asilo, mas ela me contou que tá bem atendida, ela não caminha, só de cadeira de rodas, então ela fica meio dia numa sala com três ou quatro e depois quando na hora do café, do lanche, eles vêm pegar.? (M) ?No Lar aqui em Veranópolis eu acho que falta um espaço ao ar livre, eles poderiam ter horta, um pátio, plantar flores, algo que desse para o Lar mais cara de casa.? (M) ?Não sou daqui, estou aqui no Lar há três anos, mas só fui no Centro três vezes com a minha filha.? (M) Avaliação e sugestões de melhorias no Lar São Francisco. Na medida em que o assunto ?Instituições de longa permanência? foi abordado, surgiram questionamentos e colocações acerca da oferta, formação e competência dos cuidadores e profissionais que trabalham nestas instituições ou no próprio Lar dos idosos. "Uma senhora me contou que foi visitar uma mulher numa instituição aqui e quando tava saindo do quarto, uma funcionária pediu para outra algo que havia sido solicitado para outra senhora que mora lá, por uma visita, e ela disse: que vá não sei aonde, bem grosseira. A visita tava no quarto e avisou que a pessoa queria alguma coisa, e ela largou as patas. Eu sempre digo, para trabalhar com gente tem que gostar, tem que ter afeto, estar capacitado para isso e não fazer só pelo ordenado." (M) ?Tem pessoas lá dentro que não estão preparadas para atender o idoso.? (M) ?(Precisaria de) uma lei que exija que pessoas que trabalham em casas geriátricas tenham especialização na área.? (M) ?Não existe um local para buscar cuidadores, só cuidadores isolados, e é caro.? (M) ?Vejo cuidadores de idosos despreparados. A necessidade dos idosos terem alguém está aumentando, tem gente que tem até Oferta, formação e competência de cuidadores e profissionais que trabalham com idosos. 69 três cuidadores, precisamos que estas pessoas estejam preparadas para cuidar dos nossos idosos.? (M) ?Muita gente acamada que precisa de cuidador e que a família não tem condições de cuidar e nem de pagar alguém para cuidar. Nestes casos o serviço público deveria intervir e ajudar.? (M) Em relação à existência de um serviço que acolha idosos em situação de violência e/ou negligência, a maioria relata não ter conhecimento ou constata uma insatisfação com o mesmo. ?Tem o disque 100.? (M) ?Eu liguei para Brasília [para fazer a denúncia], daí disseram para eu ligar aqui, eu liguei e não resolveram.? (M) ?Eu tenho uma vizinha que fica quinze, vinte dias bêbada e o marido bate nela, é briga, briga, fica bem em frente à minha casa. Liguei para a polícia e nada, ninguém apareceu.? (H) Serviço que atende idosos em situação de violência e/ou negligência. Resumo No que se refere ao ?Apoio e Cuidado?, os resultados da pesquisa quantitativa se alinham com os da qualitativa. Itens como oportunidade para aprender a cuidar da saúde; apoio da família e amigos; relacionamento com os vizinhos; e serviços de saúde local foram bem avaliados. Em relação aos serviços de suporte como os centros-dia, a maioria dos participantes considera não saber da existência deste serviço ou julga ruim. Quando aprofundado este tema, percebe-se a necessidade de oferecer um espaço de convivência que vá para além do grupo da longevidade existente hoje, atividade oferecida uma tarde por semana e com restrições de atividades. Em relação à existência de um serviço que acolha situações de violência contra idosos, muitos relatam desconhecer este tipo de serviço em Veranópolis. Quando aprofundada a questão sobre instituições de longa permanência, os participantes reconhecem a falta de instituições que acolham a demanda cada vez mais crescente de idosos. Também, surgem avaliações positivas em relação ao Lar São Francisco e aspectos a serem melhorados. Além disto, este item deu margem para discussão sobre a formação de cuidadores de idosos, em que se reconhece a falta de pessoas com formação na área, tanto em instituições quanto cuidadores autônomos. Ainda em relação aos serviços de saúde, os moradores das comunidades do interior se dizem carentes neste quesito, sugerem o retorno de um projeto chamado ?mais qualidade de vida no interior?, realizado de forma sistemática aos sábados à tarde, aonde profissionais da saúde iam até as comunidades. 70 Conclusão: a caminho de uma Cidade Amiga do Idoso Temas prioritários dos cidadãos veranenses A partir da complexidade dos resultados desta ampla pesquisa realizada em Veranópolis, podem-se observar algumas questões que pelo caráter urgente merecem prioridade. Em relação ao ambiente físico, observou-se dificuldade em transitar pelas ruas por parte das pessoas idosas e pessoas com algum tipo de deficiência, em função da irregularidade das calçadas, bem como existência de limo, folhas e flores que colaboram para que fiquem escorregadias. Ainda neste quesito, há um consenso sobre a questão da falta segurança contra roubos e assaltos, algo que tem feito com que as pessoas mudem hábitos e sintam-se cada vez mais acuadas. Em relação ao transporte, fica claro que a falta de estacionamento pede medidas urgentes, bem como a fiscalização das vagas de idosos e deficientes físicos. Em relação ao transporte público, a melhoria das paradas de ônibus, bem como, a melhoria do acesso ao veículo para pessoas idosas pede uma atenção especial. Em relação a moradia, o que mais aparece é novamente a falta de proteção contra roubos e assaltos. Em relação a oportunidades de participação, destaca-se algumas necessidades como por exemplo, falta de oportunidades de trabalho remunerado e poucas opões de atividades culturais voltadas ao público idoso. Em relação ao respeito e inclusão social, há uma urgência no aprimoramento das relações entre jovens e idosos, sendo necessário também um trabalho com os pais de crianças e adolescentes, para que ensinem desde cedo, valores como o respeito e a educação. Em relação à comunicação e informação parece ter uma demanda que se complementa no quesito oportunidades de aprendizagem, que é a necessidade por cursos que ensinem a usar a internet e as novas tecnologias. Em relação ao apoio e cuidado, a necessidade de um espaço de convivência que vá para além do grupo da longevidade existente hoje. Falta de instituições de longa permanecia, o desconhecimento de serviços que acolha situações de violência contra idosos. Falta de serviços de saúde e assistência nas comunidades rurais. O que torna a vida veranense agradável? ? Clima maravilhoso ? Ótima localização geográfica em relação aos centros maiores ? Ar puro ? Ruas largas ? Pouco roído ? Boa acessibilidade ? Lojas e serviços fáceis de acessar ? Circulação, entrada e saída de prédios ? Há bancos para descansar e áreas de passeio ? Motoristas são bem-educados ? Moradia em todos os aspectos avaliação boa ? Áreas de participação, respeito e inclusão social boas ? Acesso à informação é bom ? Apoio do sistema de saúde, dos vizinhos e familiares ? Oportunidades para ficar saudável ? Proximidade das moradias a serviços e lojas e apoio existente na vizinhança O que atrapalha e poderia ser melhorado? ? Falta de manutenção das calçadas ? Falta de proteção de roubos e assaltos 71 ? Falta de estacionamento perto dos serviços ? Falta de acesso a equipamento eletrônico bem como cursos para aprender a usar ? Falta de instituições para idosos ? Oferta ainda limitada de atividades para idosos, na área de aprendizagem e participação social, cultural e cívica. ? A maioria dos idosos não sabe opinar sobre transporte público e nem sobre banheiros públicos ? Muitos não sabem informar sobre serviços de suporte para idosos, serviços para proteger idosos contra violência e abuso e outros serviços de suporte Sugestões concretas ? No ambiente físico o Proteção contra roubos e assalto o Manutenção e acessibilidades das calçadas ? Transporte o Incentivar o uso do transporte público e melhor divulgação dos itinerários o Implementar um sistema de estacionamento rotativo ? Moradia o Oferecer serviços de apoio à manutenção e reparo da casa, com foco na adaptação o Baixar os custos de moradia, revisão dos impostos para idosos o Maior atenção aos moradores das áreas rurais o Melhoria das áreas comuns de prédios (melhorar convívio entre moradores) ? Participação o Oferecer oportunidades de trabalho remunerado e poucas opões de atividades culturais o Trabalhar nas escolas com atividades para integração entre jovens e idosos o Aumentar as oportunidades para atividade física e atividades com outras gerações ? Respeito e Inclusão social o Levar às comunidades do interior mais projetos voltados a saúde e assistência social o Usar os meios de comunicação e lançar na mídia alguma coisa carinhosa com o idoso, e fazer uma campanha acalorada para mobilizar ? Comunicação e Informação o Melhorar acesso e uso de equipamentos eletrônicos o Fazer divulgação dos serviços que atendem idosos em situação de maus tratos e violência ? Oportunidades de aprendizagem o Aumentar as oportunidades para desenvolver novas habilidades para o trabalho o Melhorar o acesso a cursos, palestras, aulas sobre assuntos que interessam aos idosos o Promover cursos de capacitação permanentes de profissionais que trabalhem com idosos ? Apoio e cuidado o Criar Centro Dia o Melhorar acesso a instituições de longa permanência o Expandir serviços de saúde e assistência nas comunidades rurais. 72 CONCLUSÃO FINAL Ao longo dos últimos meses iniciamos a pesquisa intitulada ?Cidade mais amiga do idoso? com o objetivo de rastrear aspectos positivos e negativos de envelhecer em Veranópolis, bem como entender aspectos a serem melhorados. Através das modalidades de pesquisa quantitativa e qualitativa, as quais se complementaram funcionando como uma lente de aumento foi possível dar voz aos idosos de Veranópolis, mapeando o seu momento de vida atual, isto é, o que fazem, do que gostam, como se sentem, como se relacionam com as pessoas e o mundo a sua volta, que tipo de demandas apresentam. A pesquisa foi norteada tendo como base oito temáticas: ambiente físico, transporte, moradia, comunicação e informação, oportunidades de aprendizagem, participação, respeito e inclusão social e apoio e cuidado, aprofundadas ao máximo. Complexa em sua metodologia, a pesquisa chega ao fim com a expectativa de que Veranópolis esteja a caminho de se tornar uma cidade mais amiga do idoso, ou seja, que possa contemplar num nível máximo os pilares do envelhecimento ativo, podendo oferecer uma melhor qualidade de vida, não só para os idosos, mas para todas as faixas etárias. 73 ANEXO I ? Perfil do Município II ? Inventário de serviços e programas III ? Questionário Protocolo do Rio IV ? Protocolo do Rio: Guia de Fórum V ? Projeto aprovado VI ? Aprovação Ética APÊNDICES I ? Questionário estruturado para obtenção do inventário de serviços e programas II ? Material de divulgação para recrutamento de participantes APÊNDICE A ? Convite Geral APÊNDICE B ? Convite Fóruns 1 e 2 APÊNDICE C ? Convite Fórum 3 III ? Questionário 1- Dados sócio demográficos e atividades de vida diária dos idosos. O quanto sua cidade é amigável ao idoso? IV ? Termos de Consentimento Livre e Esclarecido APÊNDICE A TCLE ? Pesquisa de campo APÊNDICE B TCLE ? Fórum público maiores de 18 anos comunidade APÊNDICE C TCLE ? Grupo focal APÊNDICE D TCLE ? Entrevista em profundidade